quarta-feira, 19 de julho de 2017


"POLICROMIAS"


Em Gondar, 
a arte anda pelas ruas!


Moinhos do Salto (Gondar)


Porta  (Lugar das Chedas - Gondar)

Ponte e moinho da Casa do Ribeiro - Ovelhinha (Gondar)

Estendal em Ovelhinha - Gondar

Espigueiro (Vilela - Gondar)

Pintura mural (Igreja Românica de Gondar)

Soenga (Vila Seca - Gondar)



Uma ideia "Mem Gundar"
Recolha e selecção: Miguel Moreira





quinta-feira, 13 de julho de 2017

A MINHA ALEGRE CASINHA


Quem não se recorda da canção dos “Xutos” ?

“As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu.
Meu deus como é bom morar
Modesto primeiro andar
A contar vindo do céu”.

- Boa tarde, posso fotografar a sua varanda? Pergunto eu.
- Então não pode! Respondeu, prontamente e com um sorriso, o sr. Artur.

Casa rural (lugar das Chedas - Gondar)

Sempre que por ali passava, reparava na varanda e, pela sua beleza e rusticidade, apetecia-me fotografá-la. Desta vez, o seu inquilino encontrava-se debruçado sobre a rua.
- Suba, disse-me ele.
Notei que precisava de companhia e eu, sem hesitar, subi.



- Como se chama?
- Artur. Não viu o meu nome na porta?
Sim, o seu nome estava escrito na porta. “A-r t-u-r D-o-s A-n j-o-s”. Que beleza de caligrafia!



Estivemos ali, a cavaquear, cerca de uma hora. Uma conversa como há muito não tinha: com um homem simples, causticado pela vida, com tantas histórias para contar. Um homem agradecido: agradecido à JFG que lhe fez as obras na casa; ao “Bem Estar” que lhe fornece, diariamente, as refeições; aos amigos que lhe vão dando alguns bens de que já não necessitam (até um micro-ondas que ele não sabe bem para que serve e como funciona!).
Disse-me que, no dia seguinte, ia ao “Bem Estar” cortar o cabelo e fazer a barba. Também ia  tomar o seu banho quente. O prof. Toninho, por quem nutre uma incomensurável admiração, tinha-lhe dito que tinha de ir.



Despedímo-nos, e o sr Artur lá continuou na sua “alegre casinha”.
Prometi continuarmos a conversa. Assim o farei.
Há dias em que a vida tem mais encanto! Este foi um deles.

Miguel Moreira

sábado, 8 de julho de 2017

         
                                ARCO-ÍRIS

O arco-íris, nome que provém da mitologia grega onde a deusa Íris exercia a função de arauto divino, é considerado, por muitos, um símbolo de bons augúrios, portador de boas notícias e acontecimentos felizes. 



Arco-Íris sobre Amarante (foto Miguel Moreira)

Hoje, a deusa, na sua tarefa de mensageira, brindou Amarante deixando, sobre a cidade, o seu rasto multicolor. 
Já que os homens não nos acodem que nos valham os deuses!


Texto e fotografia: Miguel Moreira

sábado, 27 de maio de 2017

PONTE DO RIO / OUTEIRINHO

Construída em cantaria de granito, esta ponte, em arco de volta perfeita, é uma das mais bonitas da freguesia. Transpondo o rio Carneiro, no lugar do Rio, liga a estrada M 576, a partir de Vila-Seca, à estrada N 101, no lugar do Escondidinho. 


Ponte do Rio - Gondar

Outrora era ladeada por uma graciosa balaustrada em granito, de que foi espoliada nos anos 80, e substituída por um corrimão metálico a fim de possibilitar a passagem de veículos automóveis.


Ponte do Rio na sua forma original

O alargamento da via e da ponte, em particular, seria de todo desejável e, já agora, a recolocação da balaustrada, se é que ela ainda existe algures.


Miguel Moreira


sexta-feira, 12 de maio de 2017

BATALHA DO MARANCINHO 
(12 de Maio de 1809)

Foi a 12 de Maio de 1809 que, após dez dias de saques, mortes e destruições (só em Ovelhinha fala-se em 35 mortos e muitas casas incendiadas), levadas a cabo pelos franceses em toda a margem esquerda do Tâmega, as forças portuguesas, comandadas pelo brigadeiro Silveira, desencadearam um feroz ataque sobre as tropas napoleónicas que é descrito, desta forma, por Carlos Azeredo:

in "Invasão do Norte - 1809", de Carlos Azeredo, pág. 83

“Durante toda a manhã deste dia 12, o Brigadeiro Silveira esperou que, pelo itinerário de Mesão Frio e dos Padrões, avançassem as forças de Bacelar ou de Beresford, para caírem em conjunto sobre o inimigo em Moure.
Pela 1 hora da tarde, lançou Silveira um ataque orientado sobre três eixos: o da esquerda, procurando tornear pelo sul a posição do adversário, seguia a direcção geral de Ansiães ao Cavalinho e Palmazões; o do centro, comandado pelo seu irmão o Coronel António da Silveira, seguia a direcção geral de Ovelha, Marancinho e Forno da Telha; o do norte, ou da direita, comandado pelo próprio Silveira, seguia a direcção de Gavião, Alto da Mó e Lufrei.
Foi sobretudo a coluna do norte a que encontrou a resistência mais encarniçada do inimigo nas proximidades de Vila Chã, no vale do ribeiro do Marancinho de onde os franceses foram combatendo e retirando até ao Barreiro (...).
O local deste renhido combate ainda hoje é localmente conhecido pelo “Vale dos Franceses” e distinguiu-se aqui o Capitão de cavalaria, Francisco Teixeira Lobo, que com 80 praças carregou sobre uma força inimiga muito superior, a qual retirou após dura refrega.” (1)

E sobre os destroços da batalha escreveu um autor da época:
“...  o inimigo teve tantos mortos e feridos que dali até Gateães se viram e observaram rastos de sangue; deixaram muitas espingardas; ... ficaram três cavalos mortos; e, no outro dia, em Gateães um montão de ossos de cadáveres queimados e se acharam, dizem, dúzias de sapatos com pés dentro ainda de alguns cadáveres queimados...”. (2)

A batalha do Marancinho foi decisiva para que os franceses abandonassem definitivamente Amarante, depois de terem causado tanta desgraça, mortes e destruições.

Ovelhinha - Gondar (Ruínas da Invasão Francesa)
Placa Comemorativa no Lugar de Rua - Aboadela

(1)- Azeredo, Carlos de, “Aqui Não Passaram!”, Civilização Editora, 2005, pág. 232.

(2)- P. F. De A. C. De M, “História Antiga e Moderna da Sempre Leal e Antiquíssima Villa de Amarante”, Edição do Autor, 1814, pág. 254.
Miguel Moreira

domingo, 30 de abril de 2017

FEIRA DO CAVALINHO (ANOS 50 do SÉC. XX)

A feira do Cavalinho nos seus tempos áureos.

Fotografias de Eduardo Teixeira Pinto.


Feira do Cavalinho (anos 50) - Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto
Feira do Cavalinho (anos 60) - Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto
Na feira do Cavalinho - foto de Eduardo Teixeira Pinto

A feira do Cavalinho realizava-se a 12 e a 28 de cada mês. Com periodicidade anual, realizava-se, no dia 29 de Abril, a "Feira dos Burros", dedicada aos equinos e asininos, também designada por "feira dos 29".
Miguel Moreira

terça-feira, 25 de abril de 2017

MEMORIAL AOS COMBATENTES EM GONDAR

Em dia de comemoração da “revolução dos cravos” (25 de Abril) faz todo o sentido lembrar todos os gondarenses que, ao serviço de um regime fascista e colonialista, lutaram e, alguns deles, perderam a vida na Guerra do Ultramar (Guiné, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Timor...).

Memorial aos Combatentes (Gondar - Amarante)

De acordo com o Portal UTW, site dos “Veteranos da Guerra do Ultramar”, faleceram em combate os gondarenses:
- 1.º Cabo Victorino de Magalhães Cunha, natural de Crespelos – Gondar, morto em combate, em Angola, no dia 9/12/1966;
- sold. Álvaro Coelho Pinto, natural de Vilela – Gondar, morto em combate, em Moçambique, no dia 3/8/1971;
- sold. Manuel Augusto Monteiro Ferreira, natural da Tapada – Gondar, morto em combate, em Angola, no dia 29/3/1971.
A revolução de 25 de Abril de 1974 pôs fim a esta guerra, iniciada no norte de Angola, em 15 de Março de 1961, e abriu caminho ao processo de descolonização.
A população de Gondar, num memorial, simples mas digno, em forma de G, que se encontra ao fundo do cemitério da freguesia, prestou a merecida homenagem a todos os gondarenses que combateram nesta guerra injusta e inglória.

Miguel Moreira

Notícia da morte do 1.º cabo Victorino de Magalhães Cunha, natural de Crespelos - Gondar: a 09Dez1966, na região fronteiriça noroeste de Angola, um pelotão da CArt1411 – a 9 meses do final da comissão e encontrando-se colocado naquele subsector desde há 15 dias –, aquando em escolta a MVL oriundo de Noqui e no regresso ao seu aquartelamento no Cabeço de Tope, tendo saído do Cabeça da Velha (sede da CArt1412 onde havia feito pausa para almoço), percorridos cerca de 2km foi alvo de emboscada lançada por cerca de 70 terroristas da FNLA, que às NT causaram 17 mortos, entre os quais Victorino de Magalhães Cunha.


in Portal UTW "Veteranos da Guerra do Ultramar".