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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Cavalinho (fontanário)

O FONTANÁRIO DO CAVALINHO


Elegante e de grande beleza, não passa despercebido o fontanário que se encontra no Largo do Cavalinho, em Gondar.


Fontanário do Cavalinho, em Gondar - Amarante
Construído para dar de beber aos muitos feirantes que acorriam às feiras que aí se realizavam, bem como aos animais, sobretudo aos bovinos, que aí eram vendidos, o fontanário ocupava, outrora, o centro do largo. Repare-se que ele foi desenhado para poder ser acessível pelos quatro lados. Recentemente, e já depois de a feira deixar de se realizar, foi deslocalizado e encostado a uma parede, perdendo parte da sua graça. A razão foi o alargamento e rebaixamento da estrada nacional.
Desconhecemos a data da sua construção, mas pelo material utilizado, o ferro fundido, remonta à chamada “arquitetura do ferro”, que se desenvolveu, em Portugal, na segunda metade do séc. XIX. Note-se, também, nas letras O.P. (Obras Públicas) que figuram numa das faces do fontanário, o que quer dizer que se trata de uma obra do Estado e não da autarquia ou de privados.
O facto de ser único no género no Concelho de Amarante, é mais uma razão para a sua preservação.
Gostaria de o ver jorrando água pelas suas quatro bicas, como recordo de o ver quando era miúdo e, como eu, tantos gondarenses.

Miguel Moreira

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Feira do Cavalinho/Feira dos Burros


A “FEIRA DOS BURROS”


Estamos em Abril e era em Abril que, no Cavalinho, para além das habituais feiras a 12 e 28 de cada mês, se realizava, no dia 29, a feira anual conhecida por “Feira dos Burros”. Nesta, em vez do gado bovino e suíno, os “reis da festa” eram os asininos.

Feira dos Burros - Cavalinho (Gondar)

A tradicional “corrida dos burros”, muito concorrida, era a grande atração, para gáudio e divertimento dos feirantes e da populaça. O vinho verde da região, servido nas tradicionais canecas e acompanhado por um naco de anho assado ou pelo biscoito da Teixeira, ajudava a animar a festa.

"Feira dos burros" em Cavalinho - Gondar (1995)

Até final dos anos 90 do século passado, como esta imagem de 1995 o documenta, esta feira atraía multidões para assistir à tradicional corrida de burros e cavalos. Hoje, apenas algumas dezenas se deslocam ao Cavalinho no dia do evento. Sinais dos tempos...!!!

Texto de Miguel Moreira
Fotografia de Alberto Rocha

domingo, 29 de abril de 2018

A “FEIRA DOS BURROS” JÁ NÃO É O QUE ERA


Estamos em Abril e era em Abril que, no Cavalinho, para além das habituais feiras a 12 e 28 de cada mês, se realizava, no dia 29, a feira franca anual conhecida por “Feira dos Burros” ou "Feira dos 29". Nesta, em vez do gado bovino e suíno, os “reis da festa” eram o gado cavalar e o muar. A tradicional “corrida dos burros”, muito concorrida, era a grande atração, para gáudio e divertimento dos feirantes e da populaça. O vinho verde da região, servido nas tradicionais canecas de porcelana e acompanhado por um naco de anho assado ou pelo biscoito da Teixeira, ajudava a animar a festa.

"Feira dos Burros" - Cavalinho (Gondar)

"Feira dos Burros" - Cavalinho (Gondar)

"Feira dos Burros" - Cavalinho (Gondar)

Até final dos anos 90 do século passado, como as imagens comprovam, esta feira atraía multidões para assistir à tradicional corrida de burros e cavalos. Hoje, apenas algumas dezenas se deslocam ao Cavalinho no dia do evento. Sinais dos tempos...!!!

"Feira dos Burros" - Cavalinho (Gondar)

As fotografias que aqui apresentamos reportam-se aos anos de 1995 e 2000 e foram digitalizadas a partir de originais, gentilmente cedidas pelo Sr. Alberto Rocha.



Miguel Moreira

quarta-feira, 1 de novembro de 2017


“ALMINHAS” do CAVALINHO 


Em dia de “Todos os Santos” e de idas ao cemitério, julgo oportuno dar a conhecer estes pequenos “monumentos” saídos da imaginação e da devoção popular - as "alminhas".

Alminhas em Cavalinho - Gondar
Em Gondar, das poucas que terão existido, as únicas que se conservam são as do Cavalinho.
Em Portugal, abundam no norte e centro, tendo sido o único país do mundo que, na sequência do Concílio de Trento (1545-1563), criou estes pequenos monumentos, marcas profundas da religiosidade popular com enorme carga emocional e sentimental. Inserem-se no culto dos mortos e na crença no Purgatório, um estado intermédio de expiação e purificação.
Localizadas, habitualmente, à beira das estradas e caminhos rurais ou nas encruzilhadas, as “alminhas” são representações populares das almas do Purgatório que suplicam, aos vivos, orações e esmolas para, mais rapidamente, alcançarem o Céu.
As do Cavalinho, que, ao contrário de muitas outras espalhadas pelo país, se encontram em razoável estado de conservação, são de construção muito antiga (séc. XIX, conject.), estando, em nosso entender, associadas à realização da feira do Cavalinho e à construção da estrada da Companhia (pombalina), aproveitando a movimentação de pessoas que estas proporcionavam.
De planta retangular e construídas em cantaria de granito, são encimadas por uma cruz latina, ladeada por dois pináculos ao modo de pirâmide, assentes numa base com cornija moldurada. 

Alminhas em Cavalinho - Gondar
Assente sobre uma bonita pedra talhada em forma de altar, o oratório ostenta no seu interior um painel de azulejos policromados, datado de 1946, onde podemos ver as almas (em representação antropomórfica) envoltas em chamas, com os braços suplicantes implorando Nossa S.ª do Carmo que interceda por elas e as liberte daquele sofrimento. Na verdade, Nossa S.ª do Carmo, que aqui aparece com o menino ao colo segurando o escapulário, era uma das santas que protegiam e intercediam pelas almas do Purgatório. 
Notamos também, no painel, a presença de dois anjos que auxiliam as almas. E, na sua base, um pedido: “Lembrai-vos de nós; Lembrai-vos de nós; Ao menos vós, os que sois nossos amigos; Porque a mão do Senhor nos feriu...”. E, ainda, a data do restauro: 1946.
O nicho, que também contém uma caixa para as esmolas, encontra-se protegido por uma grade em ferro.
As “alminhas” são património. Património cultural e religioso, enquanto expressão da piedade cristã. Património construído, enquanto arquitetura religiosa e expressão de arte popular. Assim sendo, não podem ficar ao abandono como acontece a muitas outras por este Portugal fora. Fazendo parte da nossa identidade, da nossa memória colectiva, devem ser convenientemente preservadas e valorizadas.


Miguel Moreira

domingo, 30 de abril de 2017

FEIRA DO CAVALINHO (ANOS 50 do SÉC. XX)

A feira do Cavalinho nos seus tempos áureos.

Fotografias de Eduardo Teixeira Pinto.


Feira do Cavalinho (anos 50) - Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto
Feira do Cavalinho (anos 60) - Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto
Na feira do Cavalinho - foto de Eduardo Teixeira Pinto

A feira do Cavalinho realizava-se a 12 e a 28 de cada mês. Com periodicidade anual, realizava-se, no dia 29 de Abril, a "Feira dos Burros", dedicada aos equinos e asininos, também designada por "feira dos 29".
Miguel Moreira

sábado, 23 de abril de 2016

A FEIRA DO CAVALINHO

Estamos em Abril e era em Abril que, no Cavalinho, para além das habituais feiras a 12 e 28 de cada mês, se realizava, no dia 29, a feira franca anual conhecida por “Feira dos Burros”. Nesta, em vez do gado bovino e suíno, os “reis da festa” eram o gado cavalar e o muar. A tradicional “corrida dos burros”, muito concorrida, era a grande atração, para gáudio e divertimento dos feirantes e da populaça. O vinho verde da região, servido nas tradicionais canecas de porcelana e acompanhado por um naco de anho assado ou pelo biscoito da Teixeira, ajudava a animar a festa.


Feira do Cavalinho (Anos 50) - Foto de Eduardo Teixeira Pinto
Feira do Cavalinho - Gondar (Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto)


As fotos que apresentamos, da autoria do fotógrafo amarantino Eduardo Teixeira Pinto, datam dos anos 50 e 60, do séc. XX, e ilustram bem a afluência que a feira tinha nos seus tempos áureos.
A propósito, transcrevemos da página da JFG o texto seguinte:
"A Feira do Cavalinho, em Gondar, tem raízes ancestrais e a sua fundação está relativamente bem documentada.
Os registos que dela persistem datam da época das Invasões Francesas e atestam que se realizava no dia 12 de cada mês pelo facto de no lugar de Ovelhinha existir uma outra feira que se realizava mensalmente no dia 17.
No entanto, no reinado de D. Maria II, por imposição régia, a Feira do Cavalinho teria que ser mudada para a cidade de Amarante pelo que a Rainha mandou as tropas necessárias para que o seu mandato fosse seguido. Contudo, a população reagiu e opôs-se a tal decisão bloqueando todas as passagens possíveis a fim de impedir que a feira fosse deslocada. Tal intento foi conseguido dado que a Feira que acabou por ser transferida foi a que se realizava no lugar de Ovelhinha. Perante esta situação um fidalgo conhecido por “Alexandre Velho” solicitou à Monarca que esta concedesse mais um dia de feira, presentemente o dia 28 de cada mês.
A Feira do Cavalinho é bastante conhecida, pois a ela acorrem muitas pessoas que não são locais, especialmente agricultores e negociantes de gado. Esta afluência aumenta em determinadas épocas do ano, nomeadamente pelo S. Miguel, pelo Santo André e pelo Carnaval e prende-se com o facto de, nestas alturas, existirem maior número de produtos ligados à agricultura para comercializar. Predomina o comércio de gado especialmente bovino e suíno mas, também se comercializam utensílios agrícolas e legumes para plantar, confecções, pão regional, peixe e o famoso Biscoito da Teixeira."

Quanto à data da sua criação, desconhecemos a data exacta, mas sabemos que é posterior a 1758, já que a "Memória Paroquial de Gondar" não a refere, fazendo apenas referência à que se realizava em Ovelhinha aos 17 dias de cada mês. Estamos em crer que a do Cavalinho foi criada após a abertura da estrada pombalina, pelos finais do século XVIII.



Miguel Moreira

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

GONDAR NA OBRA DE AQUILINO RIBEIRO


Aquilino Ribeiro, na obra "A Casa Grande de Romarigães", faz-nos uma interessante descrição da subida, pela antiga estrada pombalina, desde Cavalinho até Carneiro. Vejamos:

Cavalinho (Gondar - Amarante)

“… Para lá de Cavalinho começou a escalada. De momento a momento, as mulas tinham de retesar os jarretes e especar-se para subir. E, como as seges eram pesadas, obrigavam os cavalos a um passo mais vagaroso que o dos próprios sendeiros. Aproveitando-se da rédea lassa, por vício que não por fome, iam dando aqui e além a sua ripada às ervas que medravam pelas rampas e aos pâmpanos das videiras que descaíam dos cômoros para o caminho.
À mão esquerda começava a inscrever-se o vale alpestre, com seu cultivo de renovos e de vergel, marinhando na vertente oposta, até meia altura, a avaliar pela barra de verde. Do meio para cima era mato e pedegrulhal. Em baixo, nas pequenas chapadas reluzia a telha vermelha dalgum moinho, dum ou doutro casal, e por toda a parte as águas faiscavam como cutelos ao cair dos socalcos. Tanto nas arribas, a um lado, como na vertente oposta, à mão direita do caminho, a terra vessada refulgia com a Primavera.
As duas carruagens agora subiam a encosta com dificuldade e desesperadora lassitude. Ainda não teriam andado metade do caminho que vai de Amarante até Quintela, e tanto o cocheiro de Luís de Azevedo como o dos fidalgos de Ponte de Lima esfaltavam-se a estalar o chicote sobre o lombo das muares, com vozes de incitação:
- Ih, mulas! Ih! Ides a rezar… Eu dou-vos a reza!
Andando, andando, a encosta tornou-se mais íngreme, com voltas apertadas e cegas, e à mão esquerda mais profundos os despenhadeiros. Num e noutro ponto, o piso esbarrondara-se, e via-se lobreguejar através do alçapão o fundo do abismo. Casebres, lá de raro em raro, e poviléus, Bostelo, Rechãozinho, Curvaceira, não maiores que acampamentos de ciganos, diziam que ali não era ermo absoluto. E a cada passo a água se despenhava em lançadas oblíquas, em cutelo, ou de jacto, perdida pelos regos e os charcos, cantarolando a sua ladainha.
A ascensão, a partir de Noveleiros, tornou-se ainda mais de costa-arriba, se era possível, e já os carros em certos pontos, além de emperrar, patinavam… “.

Aquilino Ribeiro, A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES, Livraria Bertrand, Lisboa, 1963.