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quinta-feira, 13 de julho de 2017

A MINHA ALEGRE CASINHA


Quem não se recorda da canção dos “Xutos” ?

“As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu.
Meu deus como é bom morar
Modesto primeiro andar
A contar vindo do céu”.

- Boa tarde, posso fotografar a sua varanda? Pergunto eu.
- Então não pode! Respondeu, prontamente e com um sorriso, o sr. Artur.

Casa rural (lugar das Chedas - Gondar)

Sempre que por ali passava, reparava na varanda e, pela sua beleza e rusticidade, apetecia-me fotografá-la. Desta vez, o seu inquilino encontrava-se debruçado sobre a rua.
- Suba, disse-me ele.
Notei que precisava de companhia e eu, sem hesitar, subi.



- Como se chama?
- Artur. Não viu o meu nome na porta?
Sim, o seu nome estava escrito na porta. “A-r t-u-r D-o-s A-n j-o-s”. Que beleza de caligrafia!



Estivemos ali, a cavaquear, cerca de uma hora. Uma conversa como há muito não tinha: com um homem simples, causticado pela vida, com tantas histórias para contar. Um homem agradecido: agradecido à JFG que lhe fez as obras na casa; ao “Bem Estar” que lhe fornece, diariamente, as refeições; aos amigos que lhe vão dando alguns bens de que já não necessitam (até um micro-ondas que ele não sabe bem para que serve e como funciona!).
Disse-me que, no dia seguinte, ia ao “Bem Estar” cortar o cabelo e fazer a barba. Também ia  tomar o seu banho quente. O prof. Toninho, por quem nutre uma incomensurável admiração, tinha-lhe dito que tinha de ir.



Despedímo-nos, e o sr Artur lá continuou na sua “alegre casinha”.
Prometi continuarmos a conversa. Assim o farei.
Há dias em que a vida tem mais encanto! Este foi um deles.

Miguel Moreira

sexta-feira, 27 de maio de 2016

VARANDAS DA ALDEIA

A varanda era um dos espaços mais característicos das casas agrícolas da aldeia. Há-as de vários tipos. A que aqui apresentamos, em Ovelhinha, situa-se ao nível do 1.º andar e é acedida, pelo exterior, através de escaleiras em granito. Do pátio ao cimo das escaleiras entra-se na cozinha e, também, na varanda que dá acesso à sala.


Casa rural (Ovelhinha - Gondar)
Casa rural (Ovelhinha - Gondar)

Construída em madeira e com um desenho muito singular, a varanda, não era um simples espaço de transição entre ambientes - passagem do exterior para o interior. Ela tinha muitas outras funções: era lá que se recebiam as visitas, era de lá que se observava a vida da aldeia, se apanhava o sol nos dias menos quentes, se serandava no verão, e, ainda, se secavam algumas sementes e alimentos, a roupa em dias chuvosos, se penduravam as capas e os chapéus e, até, se namorava.
Como local nobre da casa, a varanda era embelezada com vasos de flores que as “donas de casa” cuidavam com todo o brio.
Poucas resistiram aos novos gostos e modas. Ficaram as memórias e a nostalgia de quem passou muito do seu tempo nestes espaços únicos que fizeram a delícia de muitos de nós nas nossas brincadeiras de criança.


Miguel Moreira (texto e fotografia)