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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Capela e Miradouro da Senhora da Guia - Aboboreira (Baião)

No coração da serra da Aboboreira, num dos seus pontos mais elevados e com vistas privilegiadas para o vale do rio Ovil, encontramos a capela de Nossa Senhora da Guia.

Capela de Nossa Senhora da Guia - Aboboreira

Segundo uma lenda que remonta aos anos 70 do século passado, um pastor de Baião terá avistado, por diversas vezes, no local onde se encontra a capela, a imagem de Nossa Senhora. Esta suposta aparição tornou-se assunto das conversas entre os populares e as peregrinações ao local sucederam-se, havendo até relatos de supostos milagres. Por tal motivo, acabou por ser construída, neste local da serra, uma capela com evocação de Nossa Senhora da Guia. No local, conserva-se, ainda, o penedo onde, supostamente, ocorreram as aparições.

Em cada ano, no primeiro domingo de agosto, centenas de peregrinos das freguesias vizinhas dos concelhos de Baião e Amarante, acorrem ao local para honrar Nossa Senhora. Num dia de muita alegria e convívio, os romeiros, depois de participar na missa campal e cumprir as suas promessas, espalham-se pelos montes em redor, estendem as mantas e toalhas e partilham os seus farnéis com os familiares e amigos. Fazem-se jogos tradicionais e ouve-se música popular.

Miradouro da Senhora da Guia - Aboboreira

No local, merece ainda destaque um miradouro natural, enquadrado por dois cruzeiros, de onde se alcança um vasto e impressionante horizonte, avistando-se todo o vale do rio Ovil, desde Loivos do Monte e São João de Ovil até Campelo.

O acesso a este miradouro permite aos romeiros visitar algumas aldeias tradicionais, muito bem conservadas, tais como Almofrela, Currais, Eido e Telões. No trajeto, por caminhos de montanha, alguns monumentos megalíticos (antas e mamoas), no campo arqueológico da Aboboreira, merecem também uma enriquecedora visita.

Miguel Moreira (texto)

Fotografia de Rota do Românico

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Saramago viaja pela Serra da Aboboreira

 

"(O viajante) vai ali à pré-história e volta já, cinco mil anos lá para trás..."

Saramago, in "Viagem a Portugal"

“...O caminho é uma tosca e arruinada carreteira, com profundos sulcos cavados pelas torrentes vindas do alto, e o viajante teme um acidente, uma avaria. Contudo, persevera, e tem a sua recompensa quando a ascensão termina num quase raso planalto. Os dólmenes não estão à vista. Agora é preciso avançar pelo mato dentro, há uns delgados carris que se interrompem, maneiras de negaça que o deixam perpelexo. É um quebra-cabeças malicioso, traçado em monte deserto para obscuros fins. O viajante avança pelo mato, tem de encontrar a mina de ouro, a fonte milagrosa, e quando já lança pragas e imprecações (bem está que o faça neste cenário inquietante) vê na sua frente a mamoa, o primeiro dólmen meio soterrado, com o chapéu redondo assente sobre esteios de que só se vêem as pontas, é como uma fortificação abandonada.


Anta de Chã da Parada - Serra da Aboboreira

 
O viajante dá a volta, aí está o corredor, e lá dentro a câmara espaçosa, mais alto todo o conjunto do que pelo lado de fora parecia, tanto que o viajante nem precisa curvar-se, e de baixo nada tem. Não há limites para o silêncio. Debaixo destas pedras, o viajante retira-se do mundo. Vai ali à Pré-História e volta já, cinco mil anos lá para trás, que homens terão levantado à força de braço esta pesadíssima laje, desbastada e aperfeiçoada como uma calote, e que falas se falaram debaixo dela, que mortos aqui foram deitados. O viajante senta-se no chão arenoso, colhe entre dois dedos um tenro caule que nasceu junto de um esteio, e, curvando a cabeça, ouve enfim o seu próprio coração.”

José Saramago, Viagem a Portugal, editorial Caminho, Lisboa, 1995, pág. 32.

domingo, 19 de abril de 2020

Anta de Chã da Parada


ANTA DE CHÃ DA PARADA (ABOBOREIRA)


Construído durante a primeira metade do III milénio a. C., este monumento funerário pré-histórico faz parte de um conjunto de quatro outros exemplares pertencentes à denominada Necrópole megalítica da Serra da Aboboreira.



Anta de Chã da Parada (Aboboreira) - foto Rota do Românico
A mamoa encontra-se inserta num tumuli de terra, com cerca de 25 m de diâmetro, e apresenta-se revestida por material pétreo. A câmara, de planta poligonal, é constituída por oito esteios laterais e um de cobertura, este último de consideráveis dimensões. De planta sub-rectangular, o corredor é relativamente curto, com cerca de 3,70 m de comprimento.
Uma das particularidades desta mamoa reside na presença de um conjunto de pinturas nos seus esteios, todas elas executadas a vermelho, compreendendo motivos esteliformes e circulares, além de um sub-rectangular de base trapezoidal e apêndice lateral encurvado.
Classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910.
Outras designações: Anta de Chã da Parada / Dólmen da Fonte do Mel / Casa da Moura de São João de Ovil / Casa dos Mouros / Cova do Ladrão. 

Bibliografia

JORGE, Vitor Oliveira, Megalitismo do Norte de Portugal: o distrito do Porto - os monumentos e a sua problemática no contexto Europeu, (dissertação de Doutoramento), Porto, 1982, p. 549, 571 - 572, nº 30, 31, 32 e 33, 581, 583 - 586; 
SILVA, F. A. P. da, Escavação da mamoa 3 de Chã de Parada, Serra da Aboboreira, Concelho de Baião, 1982-1983, Arqueologia, nº 11, p. 39 - 51, Porto, 1985; 
JORGE, Vitor Oliviera, e MOREIRA, M., A escavação da mamoa 4 de Chã de Parada (Baião 1987), Arqueologia, nº 16, p. 40 - 50, Porto, 1987; 
JORGE, Vitor Oliveira, e BETTENCOURT, A. M. S., Sondagens arqueológicas na mamoa 1 de Chã de Parada (Baião 1987), Arqueologia, nº 17, p. 73 - 118, Porto, 1988; 
SOUSA, O., As pinturas rupestres de mamoa 3 de Chã de Parada - Baião, Arqueologia, nº 17, p. 119 - 120, Porto, 1988; 
JORGE, Vitor Oliveira, Novas escavações na mamoa 1 de Chã de Parada - Baião, Serra da Aboboreira, 1990, Trabalhos de Antropologia e Etnologia, vol. XXXII, fasc. 1 - 4, p. 173 - 200, Porto, 1992; 
Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, Lisboa, 1993, vol. II, Distrito do Porto, p. 16.


Miguel Moreira