sexta-feira, 17 de abril de 2020

Casa da Ferreirinha - Padronelo


A CASA DA “FERREIRINHA” EM PADRONELO


Dona Antónia Adelaide Ferreira, conhecida proprietária da região Duriense, teve uma forte ligação com a estrada pombalina que percorreu inúmeras vezes ao longo da sua vida. A sua atividade profissional exigia que repartisse o seu tempo entre o Douro, onde possuía dezenas de quintas, e a cidade do Porto, onde, com bastante frequência, se se deslocava para tratar dos negócios relacionados com o vinho do Porto.

Casa da Ferreirinha em Padronelo
Nascida na Régua em 1811, Dona Antónia, a “Ferreirinha” como era conhecida, levou toda uma vida dedicada ao Douro. Durante a sua vida, abateu-se sobre a região o maior flagelo que o Douro alguma vez conheceu: as vinhas foram atingidas por uma praga, a filoxera, uma doença provocada por um inseto que sugava, secava e matava as raízes das videiras. Era urgente encontrar uma solução rápida e eficaz. Dona Antónia não se acomoda e desloca-se a Inglaterra para se informar sobre os meios mais modernos e eficazes para combater a praga. A solução passou por utilizar raízes de videiras americanas, imunes ao ataque da filoxera. Ao mesmo tempo que renova a vinha, adota processos mais sofisticados de produção de vinho e investe em novas plantações.
A partir daí a produção de vinhos do Douro não pára de aumentar. Os vinhos eram transportados em pipos de madeira até ao Porto (mais concretamente Vila Nova de Gaia) onde era armazenado nas caves para serem exportados. 
Figura incontornável do Alto Douro vinhateiro, esta mulher, símbolo do empreendedorismo duriense, construiu um enorme império ao longo do século XIX. Para o gerir, repartia o seu tempo entre a Régua, onde residia, e a cidade do Porto, onde possuía um palácio no Largo da Trindade e tratava dos negócios relacionados com a exportação dos seus vinhos. Nas suas deslocações à cidade invicta fazia-o, a maior parte das vezes, pela estrada pombalina que, por Mesão Frio e Amarante, ligava a Régua ao Porto. A viagem por barco era muito morosa e perigosa e o combóio só chegou à Régua em 1879.

Palácio da Ferreirinha no Largo da Trindade - Porto

Apesar de construída recentemente (finais do séc. XVIII), a estrada pombalina, sobretudo entre Mesão Frio e Amarante, era muito sinuosa e com declives bastante acentuados. A viagem demorava alguns dias e era necessário pernoitar pelo caminho. Para o efeito, a Ferreirinha possuía algumas casas ao longo do percurso. Uma delas era em Padronelo, o que lhe permitia descansar para a dureza da viagem pelo Cavalinho e Reboreda fora até aos Padrões da Teixeira e, depois, até à Régua. Com 27 compartimentos, distribuídos por quatro pisos, a moradia possibilitava a acomodação de toda a comitiva de Dona Antónia que não seria pequena.Virada a nascente, com a serra do Marão no horizonte e próxima do rio Ovelha, possui vistas deslumbrantes para o Marão e para o vale. 
A casa ainda lá está, abandonada e em ruínas, com certeza com muita história e estórias para contar.

Miguel Moreira

1 comentário:

  1. Recentemente a casa mudou de proprietários e está a ser alvo de uma reabilitação que, aparentemente, julgamos exemplar.

    ResponderEliminar