terça-feira, 29 de setembro de 2015

CRUZEIROS DE GONDAR


Cruzeiro da Igreja do Mosteiro de Gondar
Gondar possui dois cruzeiros paroquiais: um no Mosteiro, junto da Igreja românica, e outro nas proximidades da nova Igreja Paroquial. De épocas diferentes, possuem também caraterísticas distintas.
Utilizados desde a Idade Média, os cruzeiros paroquiais simbolizavam a autoridade paroquial, o poder eclesiástico instituído. Eram, tal como os pelourinhos, padrões de afirmação do poder e símbolos de jurisdição paroquial.
A maior parte dos cruzeiros têm uma estrutura comum, sendo constituídos por uma plataforma ou soco, de dois ou mais degraus, um pedestal, uma coluna e uma cruz.

Os de Gondar são em granito e apresentam as seguintes caraterísticas:

Cruzeiro Paroquial de Gondar


- O do MOSTEIRO, data da Idade Moderna (séc. XVII/XVIII) e é constituído por um soco de três degraus de planta quadrada e um plinto quadrangular com chanfros oblíquos, no qual assenta a coluna de fuste liso e de secção octogonal, com capitel cúbico com chanfros. A cruz é do tipo latino, lisa e de secção octogonal.

- O da IGREJA PAROQUIAL, data do início do séc. XX e é constituído por um soco de três degraus de planta quadrada, onde assenta um pedestal trapezoidal com cornija. Não possui coluna e a cruz, latina, simples e de braços quadrangulares, encaixa diretamente no pedestal.

O cruzeiro encontra-se num pequeno largo, à face da estrada, onde as procissões costumam dar a volta.

Existem, em Gondar, outros tipos de cruzes e cruzeiros de que falaremos oportunamente.



Miguel Moreira


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

AQUI (RE)NASCEU GONDAR


VIII Passeio Pedestre "Bem-Estar" (Gondar - Amarante)

Sim, foi aqui há nove séculos que Gondar nasceu, mas, como se confirma pela imagem, continua vivo e cheio de juventude. Gondar não é apenas história, também é presente e futuro, e... recomenda-se!

Miguel Moreira

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

AQUI NASCEU GONDAR

Poucas são as terras que, como Gondar, podem identificar, com algum rigor, as suas origens e justificar o seu nome. Na verdade, Gondar nasceu e cresceu à volta do seu mosteiro e deve o seu nome ao fundador desse mesmo mosteiro.

Igreja do Mosteiro de Gondar - Amarante

Sim, foi neste pequeno espaço que se vê na imagem que nasceu Gondar, ou melhor, Gundar, nome que conservou até ao século XVI.(1)
Fundado no século XII, por Dom Mem Gundar, o mosteiro beneditino, do qual dependiam também os de Lufrei e Santa Maria Madalena, constituiu-se como núcleo de toda a atividade económica e social da região. E, se inicialmente se constituía como centro de um conjunto patrimonial privado, associado à linhagem dos Gundares e ao controlo de um determinado perímetro geográfico e social (2), paulatinamente a instituição Igreja vai-se apossando dessas estruturas e de todo o aparelho económico e social construído a partir delas. Foi neste contexto que, em 1455, o bispo D. Fernando da Guerra extinguiu o mosteiro e o secularizou. E, assim, nasce a Paróquia de Gondar.
A secularização do mosteiro e da igreja não significou, no entanto, diminuição do seu valor patrimonial ou da sua importância na região. Pelo contrário, o rendimento associado à nova igreja aumentou e Gondar tornou-se Abadia da Apresentação da Mitra e Comenda da Ordem de Cristo. A este fato não foi alheia a oferta, em 1470, pelo seu primeiro pároco, Pedro Afonso, da imagem da Virgem sedente e que se tornou elemento totémico da comunidade.
Em 1882, com a reorganização dos limites das dioceses de Braga e Porto, Gondar transitou do território da primeira para o da segunda, onde permanece.
Em 1903/04, com a construção da nova Igreja Paroquial, Gondar adquire uma nova centralidade que as entidades autárquicas e eclesiásticas souberam aproveitar e têm vindo a valorizar, designadamente com a construção do Centro Paroquial e da sede da Junta de Freguesia.
No entanto, apesar desta nova centralidade, a Igreja do Mosteiro continua a ser o verdadeiro "ex-libris" de Gondar, pois foi, na realidade, o seu berço.

(1) - Gondar ou Gundar? Embora a grafia contemporânea seja a de Gondar, o padre Domingos Moreira regista "Gundar" como topónimo entre os séculos XIII e XVI (MOREIRA, Domingos A., - Fregusias do Diocese do Porto: elementos onomásticos alti-medievais.

(2) - Como refere Mário Barroca: "estamos perante um caso de uma fundação monástica protagonizada por uma família da pequena ou média nobreza que ao novo mosteiro passou a estar estreitamente ligada, porque detinha os direitos patronais, porque a ele confiava algumas das suas filhas que aí professavam, e porque o elegia para panteão familiar, fazendo aí enterrar os seus mortos".

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fotografia)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

ESPIGUEIROS... E ALPENDRES

Há-os um pouco por toda a freguesia: uns ainda ao serviço; muitos em completo estado de abandono; e outros, deslocados do seu contexto, a embelezar jardins e modernas moradias. Memórias de uma época, não muito distante, em que o cultivo do milho, juntamente com a vinha, era a actividade agrícola dominante. Por esta altura estavam a abarrotar de milho.

Espigueiro (Vilela - Gondar)

O costume de acumular produtos alimentares, convenientemente preparados, vem de muito longe, tendo mesmo precedido a própria agricultura. Com o aparecimento desta, aumenta a produção de bens alimentares que, devido ao carácter sazonal das colheitas, aumentou a necessidade de conservação dos excedentes, que deviam suprir o ano inteiro.
No norte de Portugal, mais húmido que o sul, a produção agrícola era dominada pelo milho, que colhendo-se em espiga requer secagem e armazenamento conveniente. Para esse efeito, as unidades agrícolas integravam instalações adequadas – alpendres, canastros e espigueiros – que se revestiam de uma enorme riqueza de formas. 

Espigueiro (Vilela - Gondar)

Os espigueiros da região de Gondar são predominantemente de tipo retangular, paredes aprumadas, e compõem-se essencialmente de uma câmara estreita e arejada onde se guardam as espigas. Esta estrutura ergue-se sobre uma base, o assento, constituído por várias colunas, dispostas aos pares e encimadas por pedras salientes (as mós) que impedem a subida dos roedores. Sobre as mós erguem-se colunas, normalmente em granito, que sustentam os frechais ou lintéis onde se apoia a armação da cobertura. Entre as colunas inserem-se os painéis de ripado, dispostos ao alto e travados por cintas horizontais ou cruzetas oblíquas.

Espigueiros da Casa do Encontro (Vila Seca - Gondar)

O abandono a que a agricultura tradicional tem sido votada, o desleixo e a falta de sensibilidade para a preservação deste património, fazem com que muitos destes espigueiros estejam em completo estado de degradação. Por outro lado, muitos, devido ao seu valor estético, têm sido transferidos e utilizados no embelezamento de modernas moradias, totalmente desenquadrados do seu contexto rural.

Espigueiro, eira e alpendre da Quinta do Rio (Gondar)

A nossa identidade cultural é constituída, também, por estas pequenas coisas. Seria bom que todos, proprietários e outras entidades, cuidassem da sua preservação.

Miguel Moreira


terça-feira, 15 de setembro de 2015

MIRADOUROS… DE GONDAR

É do alto das suas colinas, de um ponto de vista semelhante ao das aves, que Gondar revela toda a sua beleza e encanto. Calcorrear caminhos e vielas que atravessam lugares e lugarejos permite, sem dúvida, apreciar mais de perto o dia-a-dia das suas gentes, a rusticidade das suas construções, o calor humano dos anfitriões. Mas, são os miradouros, os pontos mais elevados, os que nos oferecem perspectivas únicas e privilegiadas das suas aldeias e paisagens - são eles os verdadeiros arautos da beleza de Gondar.

Devido à sua orografia, acidentada e a convergir para os vales dos rios Ovelha e Carneiro, são vários os miradouros que Gondar nos oferece. Destes, selecionamos cinco: o Castelo, que nos dá uma panorâmica de toda a freguesia, mas sobretudo uma vista de cortar a respiração sobre os lugares de Corujeiras e Outeirinho; o Calvário de Vilela, com uma vista soberba sobre o lugar; o Tapado com uma perspectiva única sobre Larim; o Caminho das Mesuras, de onde é possível admirar toda a beleza e sedução de Ovelhinha; e uma panorâmica do lugar de Vila Seca, com o seu casario disposto em cascata, a partir da Boavista.

Centro Cívico de Gondar (vista a partir do Tapado)

Ovelhinha (vista do Caminho da Igreja)
Corujeiras (vista a partir do Castelo - Carvalho de Rei)
Larim e Ovelhinha (a partir do Castelo - Carvalho de Rei)
Palmazões (vista panorâmica a partir do Tapado)
Há, concerteza, outros miradouros de igual beleza e, porventura, mais deslumbrantes. Ficarão para uma próxima oportunidade.
Uma coisa é certa: é, sem dúvida, das alturas que Gondar ganha outro encanto.

Miguel Moreira



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

VINDIMAS

As vindimas estão aí à porta. Gondar é, e sempre foi, terra de vinhedos e vinhateiros.




O Mestre Zé Maravilha, um conterrâneo e amigo que muito prezo, descreve desta forma sublime o ambiente das vindimas:

Oh! Festas do campo, transbordantes
De trabalhos, gritos, alegria,
Cantigas e conversas bem-sonantes
E estados d’alma, em euforia.

Oh! Escadas ao alto, grandes cestas,
Cachos d’uvas doirados e retintos,
Cortados a eito por mãos lestas
E depois encaminhadas p’ra recintos.

Oh! Arco-íris humano em andamento,
Salpicado de cores esparramadas,
Mais parece chegado de advento
Em que o trabalho, de feliz, dá gargalhadas.

Oh! Mistério das colheitas outonais,
Desvario omnipresente da razão,
Milagres campestres, sazonais
Em que tudo o que se colhe, dá em pão.

Mestre Zé Maravilha, LAGARADAS TINTO, Converso editora, Amarante, 2014.

domingo, 13 de setembro de 2015

"BEM-ESTAR" PROMOVEU 8.º PASSEIO PEDESTRE

8.º Passeio Pedestre "Bem - Estar"
Parque da Praia Fluvial de Larim
Igreja do Mosteiro de Gondar
Rio Ovelha na praia das Sumidas
Travessia do rio Carneiro em Ovelhinha
Percurso em Crespelos
Percurso pelo horto de Larim
Porco no espeto

Com a participação de algumas centenas de caminheiros, realizou-se o “8.º Passeio Pedestre”, promovido pela Associação Bem-Estar, uma IPSS com sede em Gondar.
Seguindo sempre por perto o rio Ovelha, o percurso integrou locais que deslumbraram todos os participantes: paisagens verdejantes, praias fluviais paradisíacas, velhos moinhos de água, caminhos e carreiros ancestrais, pequenas pontes, a igreja românica do Mosteiro, e, para terminar, a travessia de um horto de arbustos e plantas ornamentais que é um autêntico jardim à entrada de Gondar.
O convívio terminou com um churrasco bem regado e animado baile popular no parque da Praia Fluvial de Larim.
Parabéns à organização. Parabéns a todos os participantes.
Para o ano queremos mais!

Miguel Moreira