Documento da maior importância para a história da freguesia de Salvador do Monte, a “Memória Paroquial”, redigida em 1758, dá-nos, entre outras coisas, preciosas informações sobre a história da sua igreja, a saber:
“Esta igreja (Salvador do Monte)
estava nos seus princípios situada no outeiro mais alto que tem esta freguezia
donde se mudou para o sítio donde hoje está. Longe das casa da residencia hum
tiro de espingarda, mas tem pegadas humas casas que mandei fazer em que mora o
cura. Foy mudada a igreja no anno de 1646 por ordem do senhor Bispo que entam
era do Porto o Ill.mo D. Joam de Souza; apareceu no altar mayor uma conta de
algarimo romano de que constava ser fundada a Igreja no dito monte no anno de
ICXXII. Esta hoje a igreja para baxo do dito monte, mas em sitio agreste ...”
(1)
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Igreja de Salvador do Monte |
Que a primeira igreja de Salvador do Monte se situava no
alto do monte e que, em 1646, foi transladada para o local onde hoje se
encontra, perto da residência dos abades, é o que se pode concluir dos relatos destes dois importantes documentos.
Também sobre a mesma igreja, o
“Archivo Histórico de Portugal”, publicado em setembro de 1889, relata-nos um insólito acontecimento
que passo a transcrever não tanto pela sua originalidade mas pela minúcia da
descrição, a saber:
“Em 29 de Maio de 1745, uns
sacrilegos entraram na igreja de S. Slvador do Monte, e arrombando a porta do
sacrario, tiraram d’ella o ciborio de prata, que levaram, espalhando as
sagradas particulas pelo altar e pelo chão, achando-se umas nos pires das
galhetas, outras n’um vazo e uma debaixo da pedra d’are. Levaram tambem a
ambula dos santos oleos, que era de estanho, derramando-os sobre as mesmas
particulas. De uma imagem de nossa senhora tiraram a corôa e a quebraram com
grande incedencia, depois de conhecerem que era de latão.
Chegou esta notícia à cidade do
Porto e logo d’ali sahiu o vigário geral com alguns desembargadores do senado,
a syndicar do caso. A 18 de junho mandou o bispo publicar uma pastoral, para
que na sé d’aquella cidade se fizessem preces com o Sacramento exposto, na
segunda feira, 25 do dito mez, nos dois dias seguintes, e nos de 22, 23 e 24,
em todas as igrejas do Porto e seus suburbios, como tambem em todas do bispado,
depois de lhes chegar a noticia da mesma pastoral.” (3)
Considerando a sua importância e significado, publicaremos, oportunamente, na
íntegra, a “Memória Paroquial de Salvador do Monte”, no ano de 1758.
Miguel Moreira
(1)- https://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=4240829
(2)- Craesbeeck, Francisco Xavier
da Serra, “Memórias Ressuscitadas da Província de Entre Douro e Minho no ano de
1726”, Vol. II, pág. 69, Edições Carvalho de Basto L.da
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