“Em 1874, próximo de Padornêllo, cahiu tão enorme porção de chuva que as águas cavaram a estrada, em alguns sítios, até à profundidade de 20 metros. Foi tão violenta a tempestade, que arrastou para a estrada tão grandes penedos, que, mesmo depois de quebrados a fogo, houve grande dificuldade em removê-los. Supõe-se ter sido uma tromba marinha que foi ali rebentar”. (1)
É desta forma
que o “Archivo Historico – Narrativa da Fundação das Cidades e Villas do
Reino...”, publicado em Setembro de 1889, descreve a tromba d’água que se
abateu sobre toda a bacia do rio Carneiro, desde o Alto dos Padrões até
Padornelo, no ano de 1874. De notar que entre o fenómeno meteorológico descrito
(1874) e o ano da publicação (1889) medeiam apenas 15 anos, o que confere à
descrição um grau elevado de veracidade.
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Manuscrito das Figueiras (Vilela) (Créditos "Gondar com Memória) |
Tudo leva a crer
que o fenómeno descrito no “Archivo Histórico” é o mesmo que é relatado no
manuscrito das Figueiras. Não seria muito plausível terem acontecido dois
fenómenos semelhantes em curto espaço de tempo. Assim sendo, estamos
perante dois documentos de grande importância para a História da ponte do Rio /
Corujeiras.
Concluindo: em 1874 já havia uma ponte de pedra a ligar o lugar do Rio ao Outeirinho e Corujeiras; esta ponte foi completamente destruída pelas águas da enxurrada provocada pela tromba de água, "como se
fosse um dilúvio" (lê-se no manuscrito); para a substituir construíu-se uma nova
ponte em cantaria de granito que, embora modificada, ainda existe no local.
Ponte do Rio / Outeirinho (atual) |
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