A ILUSTRE LINHAGEM DOS GUNDARES
O “Livro de Linhagens do Conde D. Pedro” (1), no
seu Título LX, dedicado aos Gundares e à sua descendência, diz que “Dom
Mem Gundar foi natural das Astúrias e veio com o Conde D. Henrique a Portugal;
foi cavaleiro mui bom e mui honrado; jaz em Tolões; casou com uma Dona de
Galiza, que havia nome D. Goda, e fez nela:
D. Fernão Mendes de Gundar;
Lourenço Mendes de Gundar;
D. Egas Mendes;
Dona Estevaínha
Mendes, molher de Pedro Mendes de Aguiar;
Dona Loba Mendes,
molher de Diogo Bravo de Riba de Minho;
Dona Urraca Mendes,
molher de Alvite Guedes.”
Tendo desempenhado um relevante papel no contexto da Reconquista e repovoamento do território na margem esquerda do Tâmega, Mem Gundar fundou
o Mosteiro de monjas bentas de Santa Maria de Gondar, na dependência do qual
estiveram outros dois mosteiros: o de Lufrei e o de Santa Maria Madalena do
Covelo. O de Gondar teve como patronos os próprios “milites” (cavaleiros) de
Gondar (Inquirições de 1258) e tornou-se o panteão privado da família.
Mem Gundar jaz em Telões,
no mosteiro Beneditino, e foi ele quem iniciou a linhagem de quem descendem os “Motta”, os “Rego” e, ainda, com ligações muito fortes aos
“Pinto”.
D. Fernão Mendes Gondar, primogénito de Mem
Gundar, “ foi hum dos mais valerozos cavaleiros do seu tempo; ao Rei D.
Afonso Henriques acompanhou na batalha do Campo de Ourique, e outras”.
Casou-se com D. Maria Annes de quem teve dois filhos, um deles Gomes Fernandes de Gondar que casou com uma filha do alcaide de Celorico de Basto de quem teve um
filho chamado Rui Gomes Gondar, apelidado “da Motta”, o primeiro a adoptar este
apelido.
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Brasão dos "Motta" |
Um dos mais ilustres da
família “Motta” foi Jerónimo da Mota. Viveu no tempo de D. João III, do qual
foi desembargador e Juiz dos Feitos da Real Fazenda. Estudou em Siena, tendo
concluído os estudos de forma brilhante. A “Senhoria” de Siena elegeu-o seu
juiz em todas as causas cíveis, cargo que exerceu com excelência, e armou-o
cavaleiro da milícia dourada de Siena. Em troca dos seus feitos, a “Senhoria”
deu-lhe por armas as insígnias que ela própria usava, o leão coroado de Siena.
Assim, D. João III, por carta de dois de Janeiro de 1552, acrescentou as suas
armas, esquartelando-as com as da Senhoria de Siena: as cinco flores de lis dos
Mota e o leão coroado de Siena.
Outro filho de Mem
Gundar, D. Egas Mendes de Gundar casou com Maior Pais
Pinto, filha de Paio Soares Pinto. Tiveram um filho, Rui Viegas Pinto, que
viveu no tempo de D. Afonso Henriques e D. Sancho I e possuía vários casais na
terra da Feira por dote de sua mãe. São eles que dão continuidade à família dos
“Pintos”, iniciada por Paio Soares Pinto. O seu filho Gonçalo Rodrigues Pinto e
os que se lhe seguiram moraram na quinta de Torre de Chã (3) em Riba de
Bestança, Ferreiros de Tendais (Cinfães). O brasão da família com “cinco
crescentes vermelhos” é uma alusão clara às batalhas contra os Mouros. No
século XVI, a família Pinto adquiriu a Quinta da Torre da Lagariça (4), um
robusto torreão militar, no concelho de Resende, que viria a ser imortalizado
na obra de Eça de Queirós, “A Ilustre Casa de Ramires”.
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Torre da Lagariça - Concelho de Resende |
Já Lourenço Mendes de
Gundar, outro filho de Mem Gundar, casou com Dona Elvira Origues de quem teve
dois filhos: a filha, D. Teresa Lourenço que foi Abadessa do Mosteiro de
Gondar; e o filho, D. Pedro Lourenço que foi Meirinho-Mor de D. Sancho II
(1235) e “...tenens da Terra de Penaguião (1236) e da Terra de Baião
(1246-1250).
Dona Loba Mendes, uma das filhas de Mem Gundar, terá mandado construir a Torre de Mormilheiro para sua própria residência. Casada
com Diogo Bravo de Riba de Minho, por falta de Sucessão, terá chamado seu
sobrinho, D. Fernão de Sousa, de Mogadouro, de quem descendem os Condes de
Redondo, “senhores” do Concelho de Gouveia e Comendadores da Comenda de Santa
Maria de Gondar, no século XVII (6).
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Paço de Dona Loba em Padronelo - Amarante |
A importância dos
Gundares não se fica pelos nomes enunciados. Muitos outros mereciam figurar
nestas linhas. Só não o fiz para evitar que o texto se tornasse demasiado longo e fastidioso para os leitores.
Miguel Moreira
(1)- Portugaliae Monumenta Histórica, “Livro de Linhagens do Conde D. Pedro”, ed. crítica
de José Mattoso, Vol. II/1, Academia das Ciências de Lisboa, Lisboa, 1980.
(2)- “Archivo
Histórico de Portugal”, n.º 26, 1.ª série, Janeiro de 1890.
(6)- P.F. de A.C. de M. “História Antiga e Moderna da Sempre Leal e
Antiquíssima Vila de Amarante”, Londres, 1814, pág. 18.
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