quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A MINHA ESCOLA

Mesmo encerrada, esta será sempre a minha escola, a nossa escola, a escola de todos os que por lá passaram.


Escola de Vila Seca - Gondar
Já lá vão muitos anos. Passei, ao longo da vida, por várias escolas, mas esta, a de Vila Seca, é a única que trato por “minha”. Tive o privilégio de a inaugurar, no final dos anos cinquenta. Lembro-me do primeiro dia de aulas, dos meus professores, dos meus colegas, das brincadeiras de criança, das “traquinices”, da palmatória (que, felizmente, nunca experimentei). Lembro-me do crucifixo e das fotografias de Salazar, Craveiro Lopes e, depois, Américo Thomaz - figuras que olhávamos como pessoas temidas e poderosas. Enfim,tempos da ditadura...
Lembro-me do passeio final como se tivesse sido ontem: castelo de Guimarães, citânia de Briteiros, Bom Jesus de Braga...
A entrada na escola primária era o nosso primeiro ato de emancipação: abandonávamos o aconchego do lar e a protecção paternal  para começarmos a aprender a viver em sociedade, a defendermo-nos, a criar a nossa própria identidade, a sermos mais autónomos e responsáveis.
A escola de Vila Seca, vi-a construir e inaugurei-a no meu primeiro ano (1.ª classe). Por essa altura chegou, também, a luz elétrica a Gondar e, com ela, a rádio e a televisão (esta, de início, privilégio de muito poucos). Era a “civilização” que chegava.
Da mesma época e da mesma tipologia é a escola das Chedas / Crespelos.


Escola de Ovelhinha - Gondar
Mais antiga, a escola de Ovelhinha. Uma escola do “tipo” Adães Bermudes, como muitas outras que existem por esse Portugal fora. Era uma escola com uma arquitetura muito bonita e com residência para a professora. Desfiguraram-na, nos anos oitenta, com o acrescento de mais uma sala construída por cima da original. Há coisas que não se pensam ou são mal pensadas. Esta foi uma delas.
Por favor, preservem as “nossas” escolas. Dêem-lhes vida. Elas fazem parte do nosso património, do imaginário de muitas gerações.

Miguel Moreira

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