segunda-feira, 9 de maio de 2016

OVELHINHA E A II INVASÃO FRANCESA


Foi em Maio de 1809. Ovelhinha viveu os piores dias da sua existência: casas incendiadas, os haveres pilhados e a população barbaramente martirizada. Um autor fala em trinta e cinco mortos: “Quando passei na freguesia de Santa Maria de Gondar, que chorava ainda a tirana morte de trinta e cinco dos seus habitantes...” e, continua... “Ovelhinha foi reduzida a cinzas. Real foi tratada semelhantemente”. (1)
Em Gondar, os mortos foram tantos que tiveram de ser enterrados nos campos. (2)

Ruínas da II Invasão Francesa em Ovelhinha - Gondar
A 2 de Maio, e após catorze dias de resistência das forças portuguesas comandadas pelo general Silveira, as tropas de Napoleão conseguiram passar a ponte de São Gonçalo, em Amarante. Depois,  a fim de garantir uma possível retirada do exército francês para Espanha através das Beiras, tentam controlar toda a margem esquerda do Tâmega, nomeadamente a estratégica estrada pombalina que, pelo Cavalinho, conduzia a Mesão Frio e à Régua. É neste contexto que as tropas francesas, comandadas pelo sanguinário Loison, conhecido por “Maneta”, aterrorizam as populações, atacando-as, incendiando as suas casas e pilhando os seus haveres. Palmazões, Real, Cabanas, Reboreda, Carneiro, Ovelha do Marão e Ovelhinha foram das aldeias mais sacrificadas.
Só a 12 de Maio, com a vitória das forças do general Silveira, na batalha do Marancinho, e a derrota e consequente retirada das tropas de Loison, as populações se viram livres do terror infligido pelos franceses.
Para trás, ficou, no entanto, um povo destroçado, com as habitações destruídas, os seus haveres pilhados e a chorar os seus mortos. Algumas casas de Ovelhinha, que não chegaram a ser reconstruídas, atestam, ainda hoje, essa onda de destruição e barbárie.

Miguel Moreira

(         (1)- Frei Tomás de Santa Teresa, “Viagem Sentimental à Província do Minho em Agosto e Setembro de 1809”, Lisboa, Impressão Régia, 1809.
- Azeredo, Carlos de, “Invasão do Norte 1809”, Tribuna da História, Lisboa, 2004.
- Azeredo, Carlos de, “Aqui Não Passaram”, Civilização Editora, Porto, 2006.

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