quarta-feira, 2 de março de 2016

O CARRO DE BOIS AMARANTINO


Os mais jovens talvez não, mas, entre os mais velhos, há ainda quem se recorde de, desde manhã bem cedo até ao pôr-do-sol, ouvir os carros de bois “cantando” pelas calçadas gastas da nossa aldeia. Substituído pelo trator, o carro de bois foi, durante muitos séculos, o principal meio de transporte para os mais diversos produtos: uvas, vinhos, matos, madeiras, lenhas, milho, etc.
O carro de bois amarantino e, naturalmente o de Gondar, pelas suas características específicas mereceu o estudo de alguns etnógrafos, nomeadamente Armando de Matos, na sua obra “O Carro de Bois Amarantino” (1940), que passo a citar:

"Logo pela manhã" - Foto de Eduardo Teixeira Pinto

“No interessante friso dos carros rurais portugueses, ocupa um lugar de relevo aquele que dá especial feição à paisagem agrícola da região de Amarante.
De feitura idêntica aos seus congéneres, assinala-o, contudo, um cangalho lançado de maneira diferente da que se encontra em qualquer outro carro. Alteando-se no extremo, onde deve receber o jugo, provoca uma maior horizontalidade ao chedeiro do carro (…).
As chedas, que são aqueles paus que delimitam lateralmente o fundo do carro, prolongam-se na extensão aproximada de 0,60 m, fora do limite do sobrado…

"Percurso diário" - Foto de Eduardo Teixeira Pinto
As rodas são um pouco mais altas do que o usual nos outros carros de bois. Mais livres de madeira, tornam-se mais leves, tomando uma feição inconfundível.


Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto

Os jugos, simples o mais que é possível na sua decoração, e reduzidos ao mínimo indispensável, quanto à madeira, (…) assentam nas molhelhas. Estas são seguras à cabeça dos animais, por uma corda que toma o nome de soga.”

Texto: Armando de Matos, “O Carro de Bois Amarantino”, Porto, 1940.
Fotografias: Eduardo Teixeira Pinto (fotógrafo amarantino).

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