sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O RETÁBULO-MOR DA IGREJA DE GONDAR

um belo exemplar do barroco nacional

Igreja Matriz de Gondar

Retábulo-mor da Igreja de Gondar

Pormenor do retábulo (colunas e trono)

Pormenor do retábulo (decoração dos arcos)

Pormenor do retábulo (Sacrário)


Transferido da Igreja do Mosteiro de Gondar para a nova Igreja Matriz, aquando da sua construção (1903/04,) este retábulo, em talha dourada, data, pelas suas caraterísticas, dos finais do séc. XVII ou princípios do séc. XVIII, e integra-se no designado Barroco Nacional.
Nesta estrutura retabular destaca-se um par de colunas de cada lado, sendo que as dos extremos são pseudo-salomónicas (o terço inferior da coluna não se encontra estriado) e as interiores de fuste espiralado. Os capitéis são coríntios, decorados com folhas de acanto, e suportam o entablamento que serve de apoio a dois arcos concêntricos de volta perfeita, numa clara alusão à abóbada celeste.
No centro, destaca-se a tribuna com o seu trono piramidal composto por quatro níveis escalonados e encimado pelo tabernáculo destinado à exposição do Santíssimo Sacramento.
Entre cada par de colunas, um nicho com a respectiva mísula e as imagens de Santa Maria de Gondar, do lado do Evangelho, e de Santo António, do lado da Epístola.
A decoração é a caraterística do Barroco Nacional: parras e cachos de uvas (simbolizando a Eucaristia), folhas de acanto (simbolizando a imortalidade), aves depenicando uvas, meninos alegóricos (“putti”), anjos alados (serafins), flores e frutos.
De salientar, também, de cada lado do Sacrário, profusamente decorado, duas aves (Fénix, símbolo da Ressurreição e da Eternidade).
Este retábulo, conjuntamente com a imagem de Nossa Senhora (séc. XV), é, sem dúvida, o elemento de maior valor e estima da Igreja de Santa Maria de Gondar.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fofografia)

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