sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O CALVÁRIO DE VILELA

Calvário era o nome da colina onde Jesus Cristo foi crucificado. Até lá chegar, carregando a sua própria cruz, Cristo teve de percorrer um íngreme e longo caminho que ficou conhecido como “via crucis” ou “via sacra”. Segundo a prática católica este percurso é constituído por catorze “passos” ou “estações” que recordam os momentos mais marcantes desse caminho.
A Igreja Católica, no sentido de reviver os passos da Paixão de Cristo, construiu, sobretudo no norte de Portugal, monumentos que tentam imitar o Calvário e a “via crucis”. Na semana Santa ou em momentos de grande aflição, os fiéis percorrem este percurso, parando nas diversas estações onde refletem sobre os vários “passos” do sofrimento de Cristo. É o caso do Calvário de Vilela.

Calvário de Vilela - Gondar

Na maior parte dos casos, estes monumentos eram construídos na encosta de uma colina, ao longo da qual, espaçadas de forma regular, eram colocadas catorze cruzes, tantas quantas as estações da Paixão de Cristo. Na última estação ou, em alguns casos, na 12.ª - "Jesus é morto na cruz", eram colocadas três cruzes: a de Cristo, ao centro, ladeada pelas do bom e do mau ladrões.
Capela de S. João Batista (Vilela - Gondar)
No caso de Vilela, julga-se que a Via Sacra se iniciava no cruzeiro que se encontra adossado à capela de S. João Batista, pertença da Casa da Barroca, e terminava no Monte do Calvário, designação que o local ainda mantém. De toda a construção apenas restam as cruzes da Capela e a do Calvário e algumas bases nas quais eram apoiadas as cruzes. As restantes terão sido pilhadas por particulares, desconhecendo-se o seu paradeiro.
Quanto à sua datação, esta não se torna fácil devido à forma tosca e atípica da cruz do Calvário que não nos permite situá-la numa época determinada. No entanto, porque estas construções e as cerimónias da Via Sacra eram da responsabilidade da “Confraria do Senhor dos Passos” e esta já existia em Gondar, em 1758, conforme nos é relatado nas “Memórias Paroquiais”, isto leva-nos a situar esta construção na segunda metade do século XVIII ou no século XIX.
Seria bom que o pouco que nos resta deste Património religioso e histórico-cultural fosse devidamente cuidado e acautelado.

Miguel Moreira


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