quarta-feira, 24 de julho de 2019

O “PÃO DE OVELHINHA”


Hoje mais conhecido como “pão de Padronelo”, o “pão de Ovelhinha” teve a sua origem no lugar que lhe dá o nome, Ovelhinha, na freguesia de Gondar. Situado nas margens do rio Fornelo e muito próximo do Ovelha, este lugar, bem como toda a freguesia, dispunha de inúmeros moinhos que forneciam as farinhas necessárias para o tão afamado pão.


Rio Fornelo em Ovelhinha - Gondar

Embora sem documentos escritos que o comprovem, foi em Ovelhinha, segundo a tradição popular, que surgiu a primeira padaria de pão de quatro cantos. Só, após 1809, com a destruição de grande parte do lugar, causada pela II Invasão Francesa, as padarias e os padeiros tiveram de se deslocar para outros lugares e é a partir daqui que Padronelo surge ligado à confecção do pão de cantos. Em Gondar, é no lugar de Chedas que, desde há muitos anos, se concentra o maior número de padarias deste pão.

"Pão de Ovelhinha" ou "Pão de Padronelo"
De cor amarelo-torrado e com uma consistência firme e suave, é um pão de mistura de centeio e trigo, com um peso médio de 150 g. Com quatro cantos e estrangulamento central, aparentando a forma de quatro losangos unidos, é, face ao seu formato, também conhecido como “pão da concórdia”. 
Até há bem pouco tempo, este  pão era fabricado segundo métodos tradicionais e cozido em fornos de lenha aquecidos a carqueja, muito abundante na serra do Marão. 
A farinha, outrora moída em moinhos tradicionais, era depois peneirada e amassada com água, sal e fermento. Depois de levedada, volta a ser amassada à mão, altura em que se lhe dá o formato característico: um quadrilátero que é estrangulado segundo as medianas, ficando com o aspecto de losangos grosseiros, mais largos na zona de ligação e bicudos nas extremidades. A massa do pão é depois «couçada», isto é, o pão é “aconchegado”, para que não perca a forma, em lençóis de linho e coberto com cobertores para ajudar na levedura, ou seja para ajudar o pão a crescer. Seguidamente o pão é cozido durante cerca de meia hora.
  Com várias designações – pão de Ovelhinha, pão de Padronelo, trigo de cantos, ou simplesmente trigo – este pão, para além de acompanhar as refeições, tem várias utilizações culinárias, como em açordas, rabanadas, enchidos, formigos e até, mais recentemente, francesinhas. Em Paços de Ferreira, pelo Carnaval, cozinha-se a “Sopa seca”: uma sobremesa elaborada com a água do Cozido à Portuguesa e pão de Ovelhinha.
  Outrora consumido quase exclusivamente na região de Amarante, onde era vendido porta-a-porta por padeiras com grandes açafates à cabeça, o pão de cantos é hoje conhecido em quase todo o distrito, existindo casas no Porto que o recebem e comercializam diariamente.

Miguel Moreira

domingo, 21 de julho de 2019

CAPELA DE SÃO JOÃO CRISÓSTOMO

(VILELA – GONDAR)


Em 1758, a “Memória Paroquial de Gondar”, num relatório assinado pelo P.e António Coelho Pedroza, referia que "no lugar de Vilella há duas capellas, huma, a mais antiga, seu orago Sam João Baptista de que hé administradora Brizida Preira veuva e seus filhos o licenciado Manuel Brochado e o padre frei Joam de Sam Joam Baptista religiozo da Observância do Seraphico Sam Francisco na província da Índia. A outra de Sam João Crisóstimo que há poucos annos mandou eregir o Padre João Pereira Sobrinho.” (1)
Todos os gondarenses sabem da existência da capela de São João Batista, da casa da Barroca, a que já nos referimos, mais que uma vez, neste blogue. Porém, creio que poucos saberão que existiu, no mesmo lugar de Vilela, outra capela, cujo orago era São João Crisóstomo.
Datada de 31/05/1752, uma provisão da Mitra Arquiepiscopal de Braga, que se conserva no Arquivo Distrital de Braga, concedeu uma “licença para a feitura de capela com a invocacao de Sao Joao Crisostomo, novamente erigida, a favor do Padre Joao Pereira Sobrinho, da freguesia de Santa Maria de Gondar, comarca de Vila Real”.(2) Este importante documento para além de referir o seu patrono, São João Crisóstomo, refere também a pessoa que a mandou erigir, o Padre João Pereira Sobrinho. No documento diz-se, ainda, que a capela foi “novamente erigida”, o que pressupõe ter existido outra anterior a esta. De qualquer forma, esta nova capela, mandada erigir pelo P.e João Pereira Sobrinho, foi construída entre os anos de 1752, data da provisão da Mitra, e 1758, data da “Memória Paroquial”, que a dá como já existente.
A capela faria parte da Casa do Covêlo, uma habitação e quinta de dimensões consideráveis, que lhe fica mesmo em frente, do outro lado do caminho público.
Nasci muito próximo desta capela e, nos anos 50 do século passado, esta já não estava ao serviço do culto. Era um espaço para arrecadação de produtos e alfaias agrícolas. Lamentável é que, mais tarde, sobre as paredes da capela tenham construído um palheiro que desfigurou, por completo, este exemplar da memória e do património dos Gondarenses.

(1)- P.e António Coelho Pedroza in “Memórias Paroquiais de Gondar”, 1758.


Miguel Moreira

quarta-feira, 10 de julho de 2019

O CARRO DE BOIS AMARANTINO II


Com caraterísticas únicas, o carro de bois amarantino foi objeto de estudo pelo etnógrafo Armando de Mattos que, em 1940, publicou um excelente trabalho – “O Carro de Bois Amarantino”, da Junta de Província do Douro Litoral, Porto, 1940 – a que já fizemos referência em publicação deste blogue.

Por ser também, durante séculos, o modelo de carro utilizado em Gondar, divulgamos, hoje, um conjunto de fotografias do exímio mestre da fotografia Eduardo Teixeira Pinto que, de forma soberba, soube retratar o quotidiano amarantino, nomeadamente os carros de bois.


Carro de bois amarantino - Eduardo Teixeira Pinto

Sob o olhar dos reis - Eduardo Teixeira Pinto

Velhos Transportes - Eduardo Teixeira Pinto

Eduardo Teixeira Pinto

Bois amarantinos - Eduardo Teixeira Pinto

Logo pela manhã - Eduardo Teixeira Pinto

Carro de bois amarantino - Eduardo Teixeira Pinto

Bois - Eduardo Teixeira Pinto

Carro de bois - Eduardo Teixeira Pinto

Fotografias de Eduardo Teixeira Pinto

Uma pesquisa Miguel Moreira para "Sentir Gondar".

quarta-feira, 3 de julho de 2019


PADRONELO NO "ARCHIVO HISTORICO DE PORTUGAL" (1890)


Em Setembro de 1889 iniciava-se a publicação do “Archivo Historico” - Narrativa da fundação das cidades e villas do Reino, seus brazões d’armas, etc, obra que, segundo os seus promotores, seria “útil a todos os cidadãos que desejem avaliar as glórias do payz e apreciar as causas do seu engrandecimento e decadência; que por ella ficam sabendo desde quando existe cada concelho, as tradições que os acompanham, as origens dos nominativos que as distinguem, e outros factos curiosos e interessantes, como batalhas dadas nessas localidades, monumentos, etc.”
Com destaque para Dona Loba Mendes e para a fábrica de Lanifícios Garcia Ribeiro & C.ª, a freguesia de Padronelo mereceu nessa obra um honroso lugar.
É, precisamente, a parte do documento respeitante a Padronelo, publicado em Janeiro de 1890, no n.º 25, 1.ª Série do “Archivo Histórico, que, hoje, vamos transcrever para os nossos leitores:

“Padornêllo” ou “Pedornêllo” – É povoação rica, fertil e bonita, situada nas margens do rio Mendo, e que em grande parte deve a sua prosperidade à excellente fáfrica de lanifícios, ali fundada em 1860, e que hoje é uma das principaes d’este género em Portugal.

Fábrica de Lanificios de Padronelo - Amarante (cerca de 1910 - 1920)

Existe ali uma torre, a qual, segundo consta, foi residencia de D. Loba Mendes, filha de Mem de Gondar, e mulher de Diogo Bravo, de Riba-Minho. Esta senhora era muito rica e carinhosa, e deixou certas rendas e propriedades ao convento de S. Gonçalo de Amarante, com a obrigação de darem os frades em todos os dias do anno esmolas a todos os pobres que se apresentassem à portaria. Este legado cumpriu-se religiosamente até 1834.
Padornêllo era uma pobre aldeia, cujos habitantes apenas viviam da agricultura e de crearem algum gado. 
Fábrica de Lanifícios Garcia Ribeiro & C.ª - Padronelo (cerca de 1860)

Existiam quasi ignorados quando veiu a fundação da fábrica, que principiou a girar sob a firma Garcia Ribeiro & C.ª, conseguindo-se que esta povoação fosse conhecida em todo o reino como uma das principais terras industriaes, em ponto pequeno.
Em 1874, próximo de Padornêllo, cahiu tão enorme porção de chuva que as aguas cavaram a estrada, em alguns sitios, até à profundidade de 20 metros. Foi tão violenta a tempestade, que arrastou para a estrada tão grandes penedos, que, mesmo depois de quebrados a fogo, houve grande difficuldade em remove-los. Suppõe-se ter sido uma tromba marinha que ali foi rebentar.”

In “Archivo Historico de Portugal”. Pág. 101 e 102.
Miguel Moreira

segunda-feira, 1 de julho de 2019


Doutor António Fernandes da Fonseca
médico e professor universitário
1921-2014

António Fernandes da Fonseca, filho de Manuel Ribeiro da Fonseca e de Rosa Fernandes,  nasceu na freguesia de Gondar, concelho de Amarante, a 4 de agosto de 1921.

Casa onde nasceu António Fernandes da Fonseca (Gondar - Amarante)

Frequentou a escola primária de Ovelhinha, onde concluiu a 4ª classe. Continuou os estudos no Colégio de S. Gonçalo, indo, no 7.º ano, estudar para o Liceu Rodrigues de Freitas, no Porto.
Findo o ensino secundário, cursou Medicina, tendo-se licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto com a classificação final de 16 valores.
É, entretanto, convidado pela Faculdade de Medicina a ocupar o lugar de Assistente, cargo que aceita com a condição de lhe ser concedida uma bolsa de estudos no estrangeiro. Em 1955 parte para Londres para estagiar nos Serviços de Psiquiatria e Psicologia do Hospital de St. Thomas e de Genética Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria da Universidade de Londres. De regresso a Portugal, é-lhe concedido o grau de Doutor em Medicina, pela Universidade do Porto, tendo ficado a seu cargo a regência da cadeira de Psiquiatria.

Doutor António Fernandes da Fonseca
No decorrer da vida profissional, Fernandes da Fonseca desempenhou vários cargos. Foi Diretor Clínico do Hospital Conde Ferreira, durante 12 anos, e fundou o Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital de São João; Presidiu à Sociedade Portuguesa de Psiquiatria, da Associação Psiquiátrica de Língua Portuguesa e à Associação Europeia de Psiquiatria Social; foi membro da Real Academia de Medicina de Madrid e "Fellow" da Academia de Medicina e Psiquiatria de Nova Iorque; dirigiu a Revista de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do Porto e foi autor de mais de 200 trabalhos e de cerca de uma dezena de livros sobre temas de Psiquiatria, Psicologia, Sociologia e Saúde Mental, bem como de um tratado de Psiquiatria e Psicopatologia, o único em português.
Jubilado em 1991, passou, então, a desempenhar a função de diretor do Departamento de Pós-Graduações, Mestrados e Doutoramentos da Universidade Fernando Pessoa.
Antes, em 1970, no rescaldo do maio de 68, publicou “A reforma da Universidade”, que lhe valeu uma sanção do regime de então, que o impediu de realizar provas de agregação durante vários anos.
Em 1976, já Professor Catedrático, foi eleito, em lista do Partido Socialista, deputado à Assembleia da República pelo círculo do Porto. Enquanto esteve no Parlamento escreveu “Psiquiatria e Psicopatologia”, a mais significativa das suas publicações científicas, que juntou a, entre outras, "Sintomas iniciais da esquizofrenia" (1958); "A farmacoterapia em psiquiatria" (1961) "Curvas glicémias na esquizofrenia" (1963) ou “Saúde Mental e Humanização” (1995).
Apaixonado pela terra onde nasceu, cujo Município lhe atribuiu a Medalha de Ouro em 1995, Fernandes da Fonseca é também um admirador confesso e estudioso de Teixeira de Pascoaes, sobre quem escreveu “O Encontro com Teixeira de Pascoaes” (2002), incluindo também o poeta da saudade no seu livro “Psicologia da Criatividade: à luz biográfica de quatro génios” (2003). Os outros três são Fernando Pessoa, Sigmund Freud e Ortega y Gasset.
O Professor Doutor António Fernandes da Fonseca faleceu no dia 16 de Dezembro de 2014.

Fontes: https://www.cm-amarante.pt/pt/antonio-fernandes-da-fonseca

e
https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?p_pagina=antigos%20estudantes%20ilustres%20-%20ant%c3%b3nio%20fernandes%20da%20fonseca
Miguel Moreira

quarta-feira, 26 de junho de 2019


GONDAR NA ROTA DOS CAMINHOS DE SANTIAGO


Não passa despercebida a sinalética que, instalada recentemente, colocou Gondar na rota dos caminhos portugueses de Santiago de Compostela.
Numa iniciativa da Câmara Municipal de Amarante, a sinalização deste traçado pretende reanimar um antigo caminho, conhecido por “Caminho Torres”, que tem início em Salamanca e que, depois de entrar em Portugal por Almeida, passa por Amarante e prossegue, por Braga, em direcção a Ponte de Lima, onde entronca no Caminho Central Português de Santiago.

Caminho de Santiago em Larim - Gondar

No troço que atravessa Gondar, o itinerário, depois de entrar na freguesia pelo lugar de Bailadouro, prossegue pela antiga estrada pombalina, atravessando os lugares de Cabana, Real, Ovelhinha e Larim, em direcção a Padronelo e Amarante.

Mapa do Camino Torres
Todavia, este não terá sido o percurso original, já que, à data em que Diego de Torres Villarroel  iniciou este "caminho" (1737), a estrada pombalina ainda não tinha sido construída. A estrada de Amarante para Mesão Frio seguia por Bustelo em direcção a Carneiro e Padrões da Teixeira e, pela Teixeira, chegava a Mesão Frio. Com a abertura da estrada pombalina, o caminho passou a fazer-se por esta estrada que, para além de encurtar o percurso e possuir melhor piso, era servida por algumas estalagens e albergues de apoio a viajantes e peregrinos.
O tramo do Caminho de Santiago em Amarante tem cerca de 28 quilómetros e resulta de um longo processo de investigação e de averiguação dos locais percorridos e frequentados pelos peregrinos ao longo dos tempos. Do percurso merecem destaque alguns locais e monumentos, designadamente a estrada pombalina e a estalagem em Carneiro, a aldeia de Ovelhinha, em Gondar,  a ponte e a igreja de São Gonçalo, com um altar dedicado a S. Tiago, e o Mosteiro de Telões.
Na cidade de Amarante, o traçado está indicado com sinalética vertical e horizontal (no piso) e o percurso é, em alguns troços, distinto para peregrinos que se desloquem a pé e para peregrinos que se desloquem de bicicleta ou a cavalo.

Para saber mais sobre o Caminho Torres consulte:

http://caminosantiago.usal.es/torres/
Miguel Moreira

sexta-feira, 14 de junho de 2019


GONDAR E A II INVASÃO FRANCESA (1809)


Ao completarem-se duzentos e dez anos sobre a vil destruição que as tropas francesas infligiram sobre as populações de Gondar, nomeadamente de Ovelhinha e Real, achei oportuno publicar um excerto da obra “ Viagem Sentimental à Província do Minho”, de Frei Tomás de Santa Teresa, escrita em agosto / setembro de 1809, poucos meses após a ocorrência dos factos.
 
Ruínas da II Invasão Francesa em Ovelhinha - Gondar
“O texto que agora se publica teve a primeira edição em 1809, ou seja, poucos meses após os acontecimentos a que se refere. Eram, por isso, ainda muito frescas as cicatrizes deixadas pela ocupação do exército napoleónico em muitas terras do norte do país. Este relato é o resultado de uma visita que o autor fez a várias localidades onde pôde testemunhar a destruição e o sofrimento espalhados por todo o lado. “ (excerto da Nota Explicativa à reedição fac-similada da obra)

CAPITULO III
Estragos das Povoações de Santa Maria de Gondar, 
Ovelha, Ovelhinha, Gateães, Real e Padornello

“Quando passei pela Freguezia de Santa Maria de Gondar, que chorava ainda a tyranna morte de trinta e cinco dos seus Habitantes, occoreo-me a passagem de Virgilio:
... Luctus, ubique pavor, et plurima mortis imago.
Ovelhinha foi toda reduzida a cinzas. Real foi tratada semelhantemente. Encheria grossos volumes quem pretendesse esmiuçar os damnos causados à População, e à indústria das citadas Freguezias.
Já próximo da Villa de Amarante eu notei que se augmentava descompassadamente o pezo dos meus funestos presentimentos. A certeza dos estragos, que padecêra aquella desditosa, mas fidelissima Povoação, era mais que de sobejo para os inspirar, e entreter. Notei igualmente que a imaginação do que eu em breve presenciaria, me causava maior susto, e pavor, do que todas as desgraças, que até então eu resgistara com os meus propriosn olhos. Não tardou muito que, justificada esta minha aprehensão, eu taxasse de pouca força aquelles mesmos presentimentos, que me parecião tão vivos, e exaggerados. (...)

Vila de Amarante
Paço dos Condes do Redondo - Amarante (à direita na imagem)

Entrando immediatamente no Covello, que he menos hum Arrabalde, do que huma parte daquella Villa... eu vi...oxalá que eu podesse agora contar o que vi, e senti nesta occasião!!! Vi consumida pelo fogo huma rua inteira, que he quasi o total desta Povoação.
Algumas casas, que ficavão para os lados não forão isentas do fogo. A destruição foi geral. Dos seus malfadados Habitantes, huns se occupavão no desentulho das suas casas, outros lhe cobrião os tectos de colmo, outros mais querião ficar expostos à inclemência dos tempos, do que sujeitarem-se ao risco de serem esmagados por aquellas paredes alluidas, e mal seguras; e todos, em fim, cortarião o coração menos sensível, e menos affeito a chorar os males do seu proximo.” (1)

Nota: O texto é uma transcrição fiel do original, sem qualquer adaptação à grafia atual.


(1)- Frei Tomás de Santa Teresa, Viagem Sentimental à Província do Minho em Agosto e Setembro de 1809, edição Fac-similada do Grupo dos Amigos da BMMA, pp. 10, 11 e 12.