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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A CASA DE VILA SECA

Gondar e a Família Pascoaes

A casa de Vila Seca pertenceu a Álvaro Pereira Teixeira de Vasconcelos, irmão do poeta Teixeira de Pascoaes. Herdou esta casa com a morte do pai, o Conselheiro João Pereira Teixeira de Vasconcelos, Senhor da Casa de Pascoaes.

Casa de Vila Seca

Maria José Teixeira de Vasconcelos, sobrinha do Dr. Álvaro, descreve-nos, desta forma, a Casa de Vila Seca:
“A casa era pequena, mas tinha muito encanto e debruçava-se sobre uma eira enorme.
O Tio Álvaro herdou a casa de Vila Seca, onde passou longas temporadas porque ali existiu um lagar de azeite que estava a seu cargo.
O Tio Álvaro fez grandes obras, construiu uma varanda sobre a eira, ao longo da ala, que dava entrada para o seu quarto. Fez um escritório, uma boa casa de banho, cozinha e vários novos quartos e arrumos. A casa, sem perder o seu encanto, ficou verdadeiramente confortável.
Ao fundo de um campo que meu Tio transformou em vinha, ergueu-se a Capela da Casa.
O Tio Álvaro tinha muitos amigos de Lisboa que vinham passar com ele longas temporadas. Os mais assíduos eram o brigadeiro Gaspar Sá Carneiro e a mulher Beatriz que traziam o sobrinho Francisco Sá Carneiro, de trágico destino, e que teria então uns 10 anos de idade.
À entrada da Casa de Vila Seca, havia uma lindíssima ramada rodeada por enormes e centenários sobreiros” (1).

E elogia, desta forma, o seu tio Álvaro:
“O irmão mais novo do poeta era um gentleman. O único janota da família. Jogava o bridge e o bluff e tinha muitos e bons amigos. Era formado em Direito pela Universidade de Coimbra, mas nunca exerceu a advocacia.
Era um bonito rapaz e extraordinariamente simpático.
Tinha o sentido do humor e era muito bondoso. (…)
Nunca vi o Tio Álvaro zangado. Era de tal maneira bondoso que me apetece chamar-lhe o Infante Santo desta ínclita geração.
Depois da morte do irmão Joaquim, foi viver para a sua casa de Vila Seca, onde morreu com 81 anos”. (2)

Casa de Vila Seca (fachada virada a nascente)
De referir, ainda, que se deve ao Sr. Dr. Álvaro a descoberta da Necrópole Romana de Tubirei, alguns trabalhos de pesquisa nesse local e a preservação de todo o espólio aí encontrado.

(1) - Amaral, Luís Coutinho, Contributos para o Estudo da História de Amarante/Gondar, Museu Municipal de Amarante, 2009.
(2) - Vasconcelos, Maria José Teixeira de, Na Sombra de Pascoaes, VEGA, 1993.


Capela de Nossa Senhora das Dores

A Capela da Casa, cujo orago é Nossa Senhora das Dores, já existia em 1826,aquando da aquisição da propriedade. Pelas suas caraterísticas parece datar do século XVIII. 
A designação da quinta como "Quinta do Encontro" refere-se ao encontro de Nossa Senhora com o seu filho Jesus, no seu caminho para o Calvário - uma das sete dores de Nossa Senhora. É provável que na Semana Santa se realizasse uma procissão relativa a esse episódio. Esta procissão do "Encontro" ainda se realiza em várias localidades do país.

Dr. Álvaro Pereira Teixeira de Vasconcelos

Biografia:

Álvaro Pereira Teixeira de Vasconcelos

Nasceu na Casa de Pascoaes, a 20 de Setembro de 1884. Após a conclusão dos estudos liceais, frequentou a Universidade de Coimbra onde se licenciou em Direito, mas nunca exerceu a advocacia.


Tinha muitos amigos, com quem se reunia na sua “Casa de Vila Seca”, na Confeitaria Mário, em Amarante, onde se juntava com o seu irmão Senhor João Pereira, e, em Lisboa, onde passava os Invernos.

Gostava muito de acompanhar o funcionamento do seu Lagar de azeite em Vila Seca, onde passava horas a conversar com os engenheiros (trabalhadores do engenho) e com os seus fregueses, a maioria pessoas de Gondar.

Faleceu na casa de Vila Seca, em 28 de Março de 1964, tendo sido sepultado no jazigo de família, no cemitério de Gatão.



Miguel Moreira





terça-feira, 18 de agosto de 2015

LAGARES RUPESTRES EM GONDAR

Um bom exemplo de preservação do património, este dos lagares rupestres de Aldeia e do Tapado, em Gondar: limpos, devidamente protegidos por uma vedação e com sinalética adequada.
Trata-se de dois lagares localizados muito próximo da igreja do Mosteiro, um em Aldeia e outro no lugar do Tapado. São lagares escavados na rocha, em afloramentos graníticos, destinados à fabricação de vinho. 

Lagar de Aldeia - Gondar
O de Aldeia é constituído por um tanque retangular (em latim “calcatorium”), localizado na parte mais alta da rocha e destinado à pisa das uvas. Este tanque comunica através de um canal com um pio (em latim “lacus”) localizado a uma cota inferior para recolha do mosto. Ao lado do tanque superior existe uma estrutura circular, menos profunda, onde se instalava a prensa (“stipites” em latim). Esta estrutura comunica, através de uma ranhura, com o canal de escoamento para o pio. Estamos, portanto, perante uma técnica de fabrico de vinho de “bica aberta”. À volta do conjunto existem vários entalhes na rocha que se destinavam a estruturas de suporte da cobertura ou alpendre.

Lagar do Tapado - Gondar
O lagar do Tapado, ou da Saída, tinha a mesma função que o de Aldeia, o fabrico de vinho. É do mesmo tipo quanto à sua forma, mas distingue-se do primeiro porque tem tudo em duplicado: dois tanques de pisa, duas pias ou lagaretas de recolha do mosto e duas estruturas de instalação da prensa, uma de cada lado dos tanques de pisa. Estamos, portanto, perante dois lagares contíguos que podiam, por isso, funcionar em simultâneo. Propriedade de um mesmo senhor ou de dois? Uma incógnita.
Em Amarante, existem estruturas deste tipo em Vila Chã e Vila Caiz e são comuns em todo o norte e centro do país.

Entalhe de fixação da prensa (lagar do Tapado)
Uma das grandes questões que se coloca a este tipo de estruturas é o da sua datação. A falta de contextos arqueológicos que possibilite a obtenção de mais informação para o estudo da forma de funcionamento e cronologias destas estruturas rupestres, aliada à escassa informação documental são as principais limitações para a sustentação de propostas cronológicas e funcionais.
Desde logo se destaca o facto de não terem sido identificados quaisquer vestígios arqueológicos datáveis da época romana que pudessem, eventualmente, estar associados a estes lagares. No entanto, a proximidade de uma via romana e a existência de algumas necrópoles romanas na região (Ataúdes, Madalena) são razões para não descartar esta hipótese. Por outro lado, a existência de um mosteiro nas proximidades e do Paço de Mem Gundar que controlavam grande parte da propriedade fundiária da região, podem levar-nos a situar estes equipamentos já na época medieval, ou seja, pelos séculos XII/XIII. Com efeito, só após a reconquista cristã começaram a existir condições para uma agricultura mais estável, condição principal para a dedicação constante que uma vinha exigia. A designação popular de “lagar dos Mouros” não tem grande fundamente, já que é vulgar designar “dos mouros” tudo o que é antigo, obscuro, e de difícil datação.
Em suma, lidamos com uma área parca em documentação e que nos permite mais a colocação de hipóteses do que a afirmação de conclusões definitivas.

Miguel Moreira



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

OVELHINHA (GONDAR) 
a aldeia romântica

Aldeia de Ovelhinha - Gondar

Panorâmica de Ovelhinha - Gondar

Casa do Ribeiro (Ovelhinha - Gondar)

Trecho do Rio Carneiro (Ovelhinha - Gondar)

Moinho (Ovelhinha - Gondar)
Classificada como “Aldeia de Portugal”, Ovelhinha possui todos os ingredientes capazes de surpreender qualquer visitante.
Esta pitoresca aldeia, nas margens do rio Fornelo que aqui nos patenteia recantos de rara beleza, conserva um património natural e arquitetónico admirável. Carregado de história e de estórias, este lugar, onde predomina o granito e o verde, convida o visitante a calcorrear as suas ruas e vielas e a demorar-se na observação da rusticidade e tipicismo das suas construções, na elegância das casas senhoriais, na beleza das suas capelas, no bucolismo do seu rio com as suas pontes, nos açudes e moinhos de outrora.
Ovelhinha é, por tudo isso, um desafio aos sentidos, um apelo à contemplação, um hino à natureza e ao homem que, aqui, tão harmoniosamente com ela convive.

Nota: voltaremos a este lugar para falar, entre outras coisas, do “pão de Ovelhinha”, das capelas da S.ª do Carmo e de S.to Amaro, da crueldade das tropas napoleónicas que incendiaram o lugar, da “Casa senhorial do Ribeiro”.

Miguel Moreira