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terça-feira, 23 de agosto de 2016

GONDAR: freguesia do concelho de Gestaço

Gondar foi freguesia do concelho de Gestaço até à sua integração no atual concelho de Amarante, em 1836, no âmbito da reforma administrativa então efetuada. 


O concelho de Gestaço confinava, a poente, com o de Gouveia, a nascente, com a honra de Ovelha do Marão e era delimitado, a norte, pelo rio Tâmega. A ponte do Arquinho, posta a descoberto aquando das recentes obras de requalificação deste espaço, ligava as sedes dos dois concelhos (Gouveia e Gestaço). Era aqui que se localizavam as respectivas casas de Câmara, os pelourinhos e as cadeias: na margem direita da ribeira, as de Gestaço e, na margem esquerda, as de Gouveia.
Nas Inquirições de D. Afonso II (1220) apenas faziam parte de Santa Maria de Gestaço: Aboadela, Bustelo, Candemil, Carneiro, Gondar, Lufrei, Padronelo, Sanche, Várzea e Vila Chã. No entanto, Aboadela, ou Santa Maria de Bobadela (que incluía Canadelo), constituía a “Honra de Ovelha do Marão”, tendo recebido o seu primeiro foral em 1196.
Em 1258 (Inquirições de D. Afonso III) já são mencionadas as freguesias de Ansiães (esta, em 1220, era apenas um lugar da freguesia de Aboadela) e Santa Maria de Jazente. As freguesias de Carvalho de Rei e Madalena são de criação posterior (apenas sabemos que, em 1258, havia no lugar do Covelo um mosteiro chamado de Santa Maria Madalena, que deve ter estado na origem do nome desta freguesia).


Gestaço (ou Agrestaço) recebeu o seu foral em 1514, concedido por D. Manuel I (Forais Novos). Dele falaremos na próxima publicação.

Na “Corografia Portuguesa” do P. António Carvalho da Costa, de 1706, documento que hoje publicamos, são mencionadas as treze freguesias que, na época, constituíam o concelho de Gestaço. Nele, Santa Maria de Gundar merece especial destaque, sendo mencionada em primeiro lugar.
A eventualidade de Ovelhinha ter sido sede do concelho de Gestaço, com a respetiva casa de Câmara, não tem qualquer fundamento, uma vez que, até hoje, não foram encontradas provas documentais que o confirmem. Em nosso entender, confundiram Ovelhinha com Ovelha do Marão que, na verdade, foi concelho e teve Casa da Câmara. Em 1758, nas “Memórias Paroquiais”, Santa Maria Madalena, aqui designada também por “Cabeceiras de Gestaço”, aparece, ainda, como sede de concelho. Diz-se: “tem juiz ordinário, dois vereadores e procurador e escrivão da câmara…”.
Miguel Moreira

sexta-feira, 10 de junho de 2016


NOSSA SENHORA DO CARMO DE OVELHINHA

Desconhecida de muitos, a capela de Nossa Senhora do Carmo, em Ovelhinha, é uma pequena jóia do património artístico e cultural de Gondar.


Retábulo da Capela da S.ª do Carmo (Ovelhinha - Gondar)

De estilo barroco, o seu retábulo, em talha de madeira dourada e policromada, impressiona pela sua exuberante decoração baseada principalmente em parras e folhas de acanto que, espalhando-se e cobrindo todo o conjunto, se misturam, em perfeita harmonia, com grande quantidade de anjos, aves (fénices) e meninos alegóricos (“putti”). De cada lado, duas colunas torsas profusamente decoradas, com capitéis coríntios, suportam o entablamento que serve de apoio a dois arcos concêntricos que rematam o conjunto. 


Nossa Senhora do Carmo (Ovelhinha - Gondar)

No centro, um nicho alberga a imagem de Nossa Senhora do Carmo, também ela de estilo barroco.
Dois anjos tocheiros delimitam o corpo da capela e o espaço do altar. E, do lado do Evangelho, um púlpito, com uma expressiva decoração com flores de acanto, completa o cenário.
De salientar o equilíbrio e a harmonia de todo o conjunto, quer na decoração quer na forma, que julgamos poder datar-se da 1.ª metade do século XVIII.

Nossa Senhora do Carmo:


Nossa Senhora do Carmo tem origem no séc. XII, quando um grupo de eremitas se fixou no Monte Carmelo, na Palestina, iniciando um estilo de vida simples e pobre, seguindo o exemplo de Cristo. Ali construiram uma capela em honra de Nossa Senhora.
Tempos depois, os Carmelitas mudaram-se para a Europa, tendo passado por grandes dificuldades e perseguições. Em 16 de Julho de 1251, quando rezava no seu convento de Cambridge, Inglaterra, Simão Stock, superior geral da Ordem, pediu a Nossa Senhora um sinal de proteção. Apareceu-lhe, então, Nossa Senhora, trajando o hábito dos Carmelitas, que lhe ofereceu o escapulário, dizendo: “Recebe, filho amado, este escapulário. Todo o que com ele morrer, não padecerá a perdição no fogo eterno”.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fotografia)

segunda-feira, 9 de maio de 2016

OVELHINHA E A II INVASÃO FRANCESA


Foi em Maio de 1809. Ovelhinha viveu os piores dias da sua existência: casas incendiadas, os haveres pilhados e a população barbaramente martirizada. Um autor fala em trinta e cinco mortos: “Quando passei na freguesia de Santa Maria de Gondar, que chorava ainda a tirana morte de trinta e cinco dos seus habitantes...” e, continua... “Ovelhinha foi reduzida a cinzas. Real foi tratada semelhantemente”. (1)


Ovelhinha - Gondar (Ruínas da II Invasão Francesa)

A 2 de Maio, e após catorze dias de resistência das forças portuguesas comandadas pelo general Silveira, as tropas de Napoleão conseguiram passar a ponte de São Gonçalo, em Amarante. Depois,  a fim de garantir uma possível retirada do exército francês para Espanha através das Beiras, tentam controlar toda a margem esquerda do Tâmega, nomeadamente a estratégica estrada pombalina que, pelo Cavalinho, conduzia a Mesão Frio e à Régua. É neste contexto que as tropas francesas, comandadas pelo sanguinário Loison, conhecido por “Maneta”, aterrorizam as populações, atacando-as, incendiando as suas casas e pilhando os seus haveres. Palmazões, Real, Cabanas, Reboreda, Carneiro, Ovelha do Marão e Ovelhinha foram das aldeias mais sacrificadas.
Só a 12 de Maio, com a vitória das forças do general Silveira, na batalha do Marancinho, e a derrota e consequente retirada das tropas de Loison, as populações se viram livres do terror infligido pelos franceses.
Para trás, ficou, no entanto, um povo destroçado, com as habitações destruídas, os seus haveres pilhados e a chorar os seus mortos. Algumas casas de Ovelhinha, que não chegaram a ser reconstruídas, atestam, ainda hoje, essa onda de destruição e barbárie.

Miguel Moreira

(         (1)- Frei Tomás de Santa Teresa, “Viagem Sentimental à Província do Minho em Agosto e Setembro de 1809”, Lisboa, Impressão Régia, 1809.
Outras fontes:
- Azeredo, Carlos de, “Invasão do Norte 1809”, Tribuna da História, Lisboa, 2004.


- Azeredo, Carlos de, “Aqui Não Passaram”, Civilização Editora, Porto, 2006.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

AQUI (RE)NASCEU GONDAR


VIII Passeio Pedestre "Bem-Estar" (Gondar - Amarante)

Sim, foi aqui há nove séculos que Gondar nasceu, mas, como se confirma pela imagem, continua vivo e cheio de juventude. Gondar não é apenas história, também é presente e futuro, e... recomenda-se!

Miguel Moreira

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

VINDIMAS

As vindimas estão aí à porta. Gondar é, e sempre foi, terra de vinhedos e vinhateiros.




O Mestre Zé Maravilha, um conterrâneo e amigo que muito prezo, descreve desta forma sublime o ambiente das vindimas:

Oh! Festas do campo, transbordantes
De trabalhos, gritos, alegria,
Cantigas e conversas bem-sonantes
E estados d’alma, em euforia.

Oh! Escadas ao alto, grandes cestas,
Cachos d’uvas doirados e retintos,
Cortados a eito por mãos lestas
E depois encaminhadas p’ra recintos.

Oh! Arco-íris humano em andamento,
Salpicado de cores esparramadas,
Mais parece chegado de advento
Em que o trabalho, de feliz, dá gargalhadas.

Oh! Mistério das colheitas outonais,
Desvario omnipresente da razão,
Milagres campestres, sazonais
Em que tudo o que se colhe, dá em pão.

Mestre Zé Maravilha, LAGARADAS TINTO, Converso editora, Amarante, 2014.

domingo, 13 de setembro de 2015

"BEM-ESTAR" PROMOVEU 8.º PASSEIO PEDESTRE

8.º Passeio Pedestre "Bem - Estar"
Parque da Praia Fluvial de Larim
Igreja do Mosteiro de Gondar
Rio Ovelha na praia das Sumidas
Travessia do rio Carneiro em Ovelhinha
Percurso em Crespelos
Percurso pelo horto de Larim
Porco no espeto

Com a participação de algumas centenas de caminheiros, realizou-se o “8.º Passeio Pedestre”, promovido pela Associação Bem-Estar, uma IPSS com sede em Gondar.
Seguindo sempre por perto o rio Ovelha, o percurso integrou locais que deslumbraram todos os participantes: paisagens verdejantes, praias fluviais paradisíacas, velhos moinhos de água, caminhos e carreiros ancestrais, pequenas pontes, a igreja românica do Mosteiro, e, para terminar, a travessia de um horto de arbustos e plantas ornamentais que é um autêntico jardim à entrada de Gondar.
O convívio terminou com um churrasco bem regado e animado baile popular no parque da Praia Fluvial de Larim.
Parabéns à organização. Parabéns a todos os participantes.
Para o ano queremos mais!

Miguel Moreira




quinta-feira, 3 de setembro de 2015

LARGO DA MINHA INFÂNCIA

Largo da Barroca (Vilela - Gondar)
Largo da minha infância
recanto do imaginário
disco duro da memória
mil folhas
do meu diário.

Ainda hoje lá passei

e as lembranças
as de sempre
uma bola de trapos velhos
pés doridos, descalços
e o Austin do senhor tenente.

Lembro-me

da água fresca da fonte
da cascata de São João
do Zezinho da Barroca
que tinha bicicleta
e eu não.

Da mãe da Vítor 

que gritava
"rasga-me as calças que vais ver!"
e da minha
que não tardava
e, quando as dava, era a doer.


Miguel Moreira

terça-feira, 1 de setembro de 2015

BRASÃO DE ARMAS DE GONDAR





Brasão: escudo de prata, com banda de azul carregada de uma flor-de-lis de ouro, em pala, entre duas vieiras do mesmo, postas no sentido da banda, acompanhada por bilha de negro e roda de moinho de verde; campanha de burelas ondadas de azul e prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro em maiúsculas : “ GONDAR - AMARANTE “.
Bandeira: azul. Cordão e borlas de prata e azul. Haste e lança de ouro.
Descrição/justificação:
No brasão de armas de Gondar figuram os principais elementos identitários da freguesia:
- uma bilha de negro como referência à olaria de barro preto de Gondar que foi e continua sendo uma das marcas identitárias da freguesia;
- a roda de moinho, uma alusão à molinologia (os cursos dos rios Ovelha e Carneiro proporcionaram a construção de muitos moinhos e o desenvolvimento de uma próspera atividade molinológica);
- as vieiras que sinalizam os Caminhos de Santiago (Gondar, com o seu Mosteiro, era passagem obrigatória dos romeiros que de Peso da Régua escolhiam o trajeto por Mesão Frio e Amarante);
- a flor-de-lis, símbolo da nobreza e da realeza, uma referência às origens de Gondar e à linhagem dos Gundares.
- uma campanha de burelas ondadas de azul e prata, ao fundo do escudo, alusão aos dois rios que correm por Gondar – Ovelha e Carneiro.

Nota: Em nosso entender falta aqui uma alusão ao Mosteiro Beneditino de Gondar, do qual ainda resta a pequena mas bela Igreja Românica. De notar que o mosteiro, fundado por Mem Gundar e panteão da família, teve grande importância local e regional, tendo na sua dependência outros dois Mosteiros, o de Lufrei e o de Santa Maria Madalena do Covêlo.
Miguel Moreira    

domingo, 30 de agosto de 2015

SANTA MARIA DE GONDAR


Vinda da velha Igreja do Mosteiro, a atual Igreja Paroquial conserva, no seu retábulo-mor, a escultura de Santa Maria de Gondar, representando a Virgem sentada no trono e aleitando o Menino, conhecida pelos fiéis como “ Senhora da Cadeira”.
Objeto de grande devoção popular, quer na paróquia quer nas freguesias vizinhas, sobretudo por estar associada a Nossa Senhora do Leite, esta imagem reveste-se de um valor artístico e patrimonial que importa salientar.
Trata-se de uma escultura gótica (séc. XV), em calcário brando da área do Baixo Mondego, vulgarmente chamada “Pedra de Ançã”, policromada. A Virgem encontra-se sentada no trono, com o Menino sentado sobre o joelho esquerdo, amparado pela mão esquerda da Mãe, de costas voltadas para o crente e aleitando-se. Veste trajo comprido, com manto colocado pelas costas, caindo à frente, em pregas densas e de belo efeito estético. A sua camisa encontra-se meio aberta, libertando o seio esquerdo onde o Menino se aleita. Na mão direita segura uma romã, fruto que anda usualmente associado à sua iconografia.

O trono onde a Virgem e o Menino estão sentados é uma cadeira fechada, de espaldar reto, que se eleva até à altura dos ombros da Senhora.
No lateral direito da cadeira (à esquerda, portanto, do observador) foi gravada uma inscrição que diz:
Pº  Aº MADO
FAZ’  CCCC
LXX  ANOS
Ou seja, “Pero Afonso mandou fazer (na Era de M) CCCC LXX Anos”.
Assim, esta imagem identifica claramente o seu doador, Pero Afonso, que foi o primeiro Pároco de Gondar, e a sua data, 1470.
Desta forma, para além do seu valor estético, esta imagem tem um valor acrescido: pertence ao reduzido grupo das imagens quatrocentistas que são portadoras de inscrições que identificam o seu doador e as datas com rigor. Se não tivesse outros aspectos dignos de nota, só por isso merecia que lhe reservasse uma atenção especial. Com esta identificação, a importância e o significado histórico desta imagem torna-se ainda maior.

Miguel Moreira

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

IGREJA PAROQUIAL DE GONDAR


Igreja Paroquial de Gondar (ala sul)

Igreja Paroquial de Gondar (fachada principal)

Capela-mor e altares colaterais

Altar de S. José e Nossa Senhora de Fátina

Altares de Nossa Sr.a das Graças e do Coração de Jesus

Batistério da Ig. Paroquial de Gondar

Cruzeiro de Gondar

A sua construção foi iniciada em Abril de 1903 e a inauguração realizou-se em Outubro de 1904. A localização, num extremo da paróquia, da Igreja do Mosteiro e as suas exíguas dimensões exigiam, desde há muito, a construção de um novo templo, maior e num local mais central. Aliás, já desde meados do século XVIII, a Capela de Santo Amaro, em Ovelhinha, era utilizada para as missas dominicais por ter uma melhor localização.
Segundo consta, o pároco de então, Pe. Manuel Gontão, não era homem de grande iniciativa, embora fosse ele quem ofereceu o terreno para a nova Igreja. Na realidade, o grande incentivador e dinamizador do empreendimento foi o Sr. Joaquim Narciso, da casa do Outeirinho. Foi ele que contactou as famílias mais abastadas da freguesia e diversas instituições com o objectivo de angariar os fundos necessários à construção da igreja. Os donativos e as despesas constam de um livro que o Sr. Arnaldo (herdeiro do Sr. Narciso) possuía e que, agora, se encontra nos arquivos da paróquia. Em valores da época, o custo total rondou os mil escudos. Deste montante, a maior parte veio do Estado, da Junta de Freguesia, das Senhoras da Casa do Ribeiro e das Confrarias do Santíssimo Sacramento e da Senhora do Rosário. O povo da freguesia pouco contribuiu, mas parece que esse contributo também não lhe foi pedido.
Como os recursos eram escassos, foi preciso recorrer a outras fontes. Assim, da velha Igreja do Mosteiro veio o retábulo em talha dourada do altar-mor, a valiosa imagem da padroeira, Santa Maria, em pedra de Ançã, do século XV, e os dois altares colaterais, o do Senhor Crucificado e o do Senhor dos Passos, cujas imagens já foram substituídas por outras; da Igreja de São Francisco, no Campo da Feira (Amarante) que estava a ser demolida para a construção do Quartel de Artilharia, vieram os dois altares laterais e respectivas imagens, muitas madeiras e as pirâmides e cruzes que encimam a Igreja.
De referir, também, que, no local, já existia uma capela de apoio ao cemitério, aliás designada como “Capela do Cemitério”, que foi aproveitada e corresponde à capela-mor da atual Igreja.
Pena foi que a nova Igreja continuasse a ser acanhada, que do terreno destinado à igreja fosse cedida uma parte para a ampliação do cemitério (construção do patamar mais elevado) encurtando, assim, o espaço do adro entre a igreja e o cemitério, e que a torre sineira ficasse demasiado baixa (a actual, mais elevada e com relógio, data da década de 60, do século passado).
Do conjunto das instalações paroquiais fazem também parte o cruzeiro, que data da fundação da Igreja, a residência paroquial, construída em 1937, e o Centro Paroquial, mandado construir pelo pároco de então, Pe. António Gonçalves Foz, na década de sessenta, do século passado.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fotografia)


terça-feira, 25 de agosto de 2015

10 LOCAIS A NÃO PERDER EM GONDAR


1. Igreja Românica do Mosteiro de Gondar

Igreja do Mosteiro de Gondar
Integrada na Rota do Românico, esta Igreja, edificada no século XIII, conserva ainda a traça românica na sua quase totalidade, apesar das transformações que sofreu durante a Época Moderna.
Fez parte de um antigo Mosteiro de monjas bentas, fundado por Dom Mem Gundar e que remonta ao século XII.

2. Igreja Matriz de Gondar

Igreja Matriz de Gondar
Inaugurada em 1904, a atual Igreja Matriz, com uma localização mais central, veio substituir a Igreja românica, situada num extremo da paróquia.
De traçado muito simples e de uma só nave, o novo templo ostenta, no seu interior, peças de elevado valor artístico e cultural: um retábulo de estilo barroco (séc. XVII/XVIII) e uma belíssima escultura de Nossa Senhora, de estilo gótico (século XV).

3.  Aldeia de Ovelhinha

Aldeia de Ovelhinha
      Integrada na Rota das “Aldeias de Portugal”, Ovelhinha é de uma beleza invejável. Com o seu casario tradicional, a Casa Senhorial do Ribeiro, as suas capelas, as pequenas pontes sobre o rio Carneiro, os açudes e os moinhos de outrora, Ovelhinha é um desafio aos sentidos, um apelo à contemplação, um hino à natureza e ao homem que, aqui, tão harmoniosamente convivem.

4Aldeia de Vilela

Casa da Barroca - Vilela
      Vilela foi uma aldeia Senhorial. Com um passado que remonta à romanização, Vilela criou a sua própria identidade: uma casa solarenga que domina o lugar; O São João que é do povo e se festeja, religiosamente, todos os anos; o Calvário que foi de Cristo e, agora, é de todos.
Vilela, com as suas casas rústicas exemplarmente restauradas, as reminiscências de uma próspera comunidade agrícola, os velhos espigueiros empoleirados nos outeiros, é um lugar asseado, bonito de se ver. Não perca.

5.  Lugares do Rio e Outeirinho

Rio e Outeirinho - Gondar

Localizados frente a frente e separados apenas pelo rio Carneiro, estes dois lugares, outrora terra de oleiros e agricultores, preservam ainda o seu caráter genuinamente rural.
Percorra a pé os seus caminhos estreitos e sinuosos, observe as suas graciosas construções graníticas, pare sobre a pequena ponte e deixe-se embalar pelo som da água que corre célere por entre os seixos e, se for no verão, não deixe de se refrescar na sua praia fluvial ou, simplesmente, contemplar a natureza que, aqui, se mantém no seu estado mais puro.

6. Capela e Casa do Encontro (Vila Seca)

Casa de Vila Seca - Gondar
Propriedade da família Pascoaes, este conjunto arquitectónico de cariz marcadamente rural, merece, pela sua localização sobranceira ao rio Carneiro e pela beleza e harmonia das suas construções, uma visita demorada que não defraudará, certamente, as suas melhores espetativas.

7. Capela de Nossa Senhora do Carmo (Ovelhinha)

Capela de Nossa Senhora do Carmo (Ovelhinha)
Propriedade da Casa do Ribeiro, esta Capela é uma pequena jóia do património artístico e cultural de Gondar. Embora a necessitar de trabalhos de restauro da sua talha, o retábulo do altar de Nossa Senhora do Carmo é uma preciosidade do barroco (século XVIII). De salientar também os dois anjos tocheiros, de estilo barroco, e o púlpito com uma expressiva decoração com flores e folhas de acanto.

8.  Museu Rural do Marão (Vila Seca)

Museu Rural (foto de J. F. de Gondar)

Inaugurado em 2009, este Museu, nas instalações de um antigo Engenho de Azeite que aqui funcionava e se mantém em bom estado de conservação, tem patente ao público uma vasta colecção de alfaias agrícolas, utensílios de cozinha, teares, diversas peças de olaria de barro preto e muitos outros utensílios do dia-a-dia da comunidade local.

9.  Larim e a sua Praia Fluvial

Larim - Gondar

Larim, através da sua ponte tricentenária, é a porta de entrada em Gondar. Possui uma bela praia fluvial, um aprazível parque de merendas, uma piscina (privada), cafés, restaurantes e tabernas. Enfim, tudo o que é necessário para uma visita, em família ou com amigos, que, certamente, registará no seu álbum de memórias.

10. Lagares rupestres de Aldeia e Tapado

Lagar rupestre do Tapado - Gondar
São, porventura, as construções mais antigas da freguesia. São a evidência de que a cultura da vinha e do vinho remontam aos primórdios desta comunidade que, hoje, produz dos melhores vinhos da região.
Visite estes lagares, procure compreender o seu funcionamento e, se apreciar, não deixe de degustar os bons vinhos da região numa das muitas tabernas da freguesia.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira e Miguel Moreira (fotografia)



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O RETÁBULO-MOR DA IGREJA DE GONDAR

um belo exemplar do barroco

Igreja Matriz de Gondar

Retábulo-mor da Igreja de Gondar

Pormenor do retábulo (colunas e trono)

Pormenor do retábulo (decoração dos arcos)

Pormenor do retábulo (Sacrário)


Transferido da Igreja do Mosteiro de Gondar para a nova Igreja Matriz, aquando da sua construção (1903/04,) este retábulo, em talha dourada, data, pelas suas caraterísticas, dos finais do séc. XVII ou princípios do séc. XVIII, e integra-se no designado Barroco Nacional.
Nesta estrutura retabular destaca-se um par de colunas de cada lado, sendo que as dos extremos são pseudo-salomónicas (o terço inferior da coluna não se encontra estriado) e as interiores de fuste espiralado. Os capitéis são coríntios, decorados com folhas de acanto, e suportam o entablamento que serve de apoio a dois arcos concêntricos de volta perfeita, numa clara alusão à abóbada celeste.
No centro, destaca-se a tribuna com o seu trono piramidal composto por quatro níveis escalonados e encimado pelo tabernáculo destinado à exposição do Santíssimo Sacramento.
Entre cada par de colunas, um nicho com a respectiva mísula e as imagens de Santa Maria de Gondar, do lado do Evangelho, e de Santo António, do lado da Epístola.
A decoração é a caraterística do Barroco Nacional: parras e cachos de uvas (simbolizando a Eucaristia), folhas de acanto (simbolizando a imortalidade), aves depenicando uvas, meninos alegóricos (“putti”), anjos alados (serafins), flores e frutos.
De salientar, também, de cada lado do Sacrário, profusamente decorado, duas aves (Fénix, símbolo da Ressurreição e da Eternidade).
Este retábulo, conjuntamente com a imagem de Nossa Senhora (séc. XV), é, sem dúvida, o elemento de maior valor e estima da Igreja de Santa Maria de Gondar.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fofografia)