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terça-feira, 22 de março de 2016

RIO CARNEIRO

Também conhecido como rio Fornelo, o Carneiro é, tal como o Ovelha, um dos rios estruturantes de Gondar.

Rio Carneiro em Ovelhinha - Gondar
Rio Carneiro em Ovelhinha - Gondar

Nasce nos Padrões da Teixeira e, depois de atravessar a freguesia de Carneiro, que lhe empresta o nome, desce de forma abrupta até Gondar onde desagua no rio Ovelha.
Já em Gondar, de forma mais suave, o rio flui por entre fecundas várzeas que irriga com as suas águas despoluídas. Era também aqui que a força das suas águas fazia mover muitos moinhos, hoje votados ao mais completo abandono.
Em Ovelhinha, uma pitoresca aldeia preservada, o rio exibe a plenitude da sua graça para encanto e deleite de quem a visita, para pouco depois, em Larim, juntando-se ao Ovelha, se despedir de Gondar.
Texto e fotografia: Miguel Moreira

quarta-feira, 16 de março de 2016

RIO OVELHA

O território de Gondar foi moldado pelos rios Ovelha e Carneiro. Um e outro percorrem a freguesia de lés-a-lés, e, numa espécie de enlace matrimonial, unem-se em Larim para juntos continuarem a sua marcha para o mar.


Rio Ovelha em Larim - Gondar
Rio Ovelha em Tojal - Gondar
Rio Ovelha em Sumidas - Gondar

O rio Ovelha nasce perto da linda aldeia de Covelo do Monte, nas encostas de Pena Suar (Serra do Marão). Depois, por entre uma paisagem deslumbrante, serpenteia a encosta e, após atravessar Aboadela, entra em Gondar que percorre de Nascente a Poente.
Com uma extensão de cerca de 30 Km, o Ovelha é um rio de águas limpas que corre ora por vales verdejantes e laboriosamente trabalhados, ora afunilando-se por entre margens estreitas e alcantiladas. Com um caudal muito irregular, tem, ao longo do seu curso, vários açudes para aproveitamento das suas águas para irrigar os férteis campos que o ladeiam, ou para lhe colher a força para fazer mover os moinhos, hoje em dia abandonados, mas plenos de beleza e testemunhos do árduo trabalho de antigos moleiros. Também de destacar as suas aprazíveis praias fluviais como a do lugar de Rua (Aboadela), a das Sumidas (Gondar) e a de Padornelo.
Em Abril de 2003, foi criada a “Associação dos Amigos do Rio Ovelha” que tem como principal objectivo a defesa e conservação do património natural, paisagístico, arqueológico e cultural da Bacia Hidrográfica do Rio Ovelha.
Texto e fotografias: Miguel Moreira

domingo, 13 de março de 2016

HÁ MUITO QUE VER EM GONDAR

Gondar - Amarante (Larim)
Gondar - Amarante (Rota do Românico)
Monumentos, aldeias preservadas, quintas e casas senhoriais, artesanato, museu rural, “casa do oleiro”, património natural… e muito mais. Tudo isto numa terra com séculos de história e, apenas, a meia dúzia de Km de Amarante. 
Sinta-se convidado. Gondar espera por si!

quarta-feira, 9 de março de 2016

O CAMPANÁRIO DA IGREJA ROMÂNICA DE GONDAR

António Coelho Pedroza, nas "Memórias Paroquiais" (1758), descreve-nos desta forma maravilhosa o campanário e os sinos da igreja:

"Nesta parochia muito antigua há um campanário com seus sinos de vox muito suave e sonora, quando convidam os freguezes à palavra de Deus e a ouvir missa, mas triste e fúnebre quando os chama à sepultura.


Campanário (Igreja Românica de Gondar)

O mais piqueno conserva ainda hoje o seu timbre porque sempre foi pouco gasto, o mayor foy bello contralto, mas hoje por quebrado ficou em tenor desemtoado, mas nas festas sempre participa de suas glórias quem os repica.”
Fotografia: Rota do Românico
Fonte: Memórias Paroquiais de Gondar (1758)
Miguel Moreira

sexta-feira, 4 de março de 2016

GONDAR EM 1758 
(MEMÓRIA PAROQUIAL DE GONDAR)


As "Memórias Paroquiais" de Gondar, descritas pelo P.e António Coelho Pedroza, a 20 de Março de 1758, são, porventura, o mais importante documento para a história de Gondar, no século XVIII. Transcrevemos uma parte desse valioso documento (manuscrito):
“Descrisçom desta Freguezia de Sancta Maria de Gundar feita pelo emcomendado(1) della António Coelho Pedroza, natural da Villa de Murça desta Comarca de Villa Real.
Cruzeiro do Mosteiro de Gondar (séc. XVII)
1.He esta Freguezia da Província de Entre Douro e Minho, do Arcebispado de Braga Primâs, da Comarca de Villa Real, do Concelho de Gestaço.
2.Sua Magestade que Deos goarde he senhor delle.
3. Tem esta Freguezia, conforme o rol dos confessados que nella achei, duzentos e vinte fogos, pessoas de sacramento(2) seis centos e trinta e huma, menores(3) sessenta e oito.
4.Está esta Freguezia situada entre montes com distância do Maram duas légoas e tão baixa que della se não descobre povoaçam alguma.
5.He esta Freguezia membro do Concelho de Gestaço.
A Igreija desta Parochia está em huma das bordas da Freguezia em hum dos povos della que lhe chamamos o Mosteyro, cuja dominaçãm tomou pelo ser nos sécullos passados de religiosas Beneditinas, que consta por tradiçam faziam constar de muntos archivos.
Os povos  de que se compom o corpo desta freguesia sam – Mosteiro, Aldea, Larim, Vau, Palmazões, Real, Corjeiras, Outeirinho, Rio, Villa Seca, Valinhas, Vilella, Crispellos, Areas, Salida, Quintã.
6.Seu orago hé de Sancta Maria de Gundar, tem três altares, o mor donde se conserva o sacrário com o Santíssimo Sacramento, e dois colaterais, o da parte Direita do Santo Nome de Jezus e da parte Esquerda do Senhor Sam Sebastiam; tem huma Irmandade das Almas.
Nesta parochia muito antigua há um campanário com seus sinos de vox muito suave e sonora, quando convidam os freguezes à palavra de Deus e a ouvir missa, mas triste e fúnebre quando os chama à sepultura. O mais piqueno conserva ainda hoje o seu timbre porque sempre foi pouco gasto, o mayor foy bello contralto, mas hoje por quebrado ficou em tenor desemtoado, mas nas festas sempre participa de suas glórias quem os repica.”
(continua)

(1) – Pároco(sacerdote que tem a seu cargo uma paróquia; vigário; cura) por encomendação.
(2) – Pessoas acima dos 7 anos.
(3) – Crianças até aos 7 anos.
Miguel Moreira

quarta-feira, 2 de março de 2016

O CARRO DE BOIS AMARANTINO


Os mais jovens talvez não, mas, entre os mais velhos, há ainda quem se recorde de, desde manhã bem cedo até ao pôr-do-sol, ouvir os carros de bois “cantando” pelas calçadas gastas da nossa aldeia. Substituído pelo trator, o carro de bois foi, durante muitos séculos, o principal meio de transporte para os mais diversos produtos: uvas, vinhos, matos, madeiras, lenhas, milho, etc.
O carro de bois amarantino e, naturalmente o de Gondar, pelas suas características específicas mereceu o estudo de alguns etnógrafos, nomeadamente Armando de Matos, na sua obra “O Carro de Bois Amarantino” (1940), que passo a citar:

"Logo pela manhã" - Foto de Eduardo Teixeira Pinto

“No interessante friso dos carros rurais portugueses, ocupa um lugar de relevo aquele que dá especial feição à paisagem agrícola da região de Amarante.
De feitura idêntica aos seus congéneres, assinala-o, contudo, um cangalho lançado de maneira diferente da que se encontra em qualquer outro carro. Alteando-se no extremo, onde deve receber o jugo, provoca uma maior horizontalidade ao chedeiro do carro (…).
As chedas, que são aqueles paus que delimitam lateralmente o fundo do carro, prolongam-se na extensão aproximada de 0,60 m, fora do limite do sobrado…

Carro de bois amarantino (postal ilustrado)
"Percurso diário" - Foto de Eduardo Teixeira Pinto

As rodas são um pouco mais altas do que o usual nos outros carros de bois. Mais livres de madeira, tornam-se mais leves, tomando uma feição inconfundível.


Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto

Os jugos, simples o mais que é possível na sua decoração, e reduzidos ao mínimo indispensável, quanto à madeira, (…) assentam nas molhelhas. Estas são seguras à cabeça dos animais, por uma corda que toma o nome de soga.”

Carro de bois (foto de Eduardo Teixeira Pinto)

Texto: Armando de Matos, “O Carro de Bois Amarantino”, Porto, 1940.

Fotografias: Eduardo Teixeira Pinto (fotógrafo amarantino).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

GONDAR EM 1726 
REITORIA E COMENDA DA ORDEM DE CRISTO

“Hoje é esta igreja reitoria e comenda da Ordem de Christo, de que é Comendador Thomé de Sousa Coutinho, 2.º Conde de Redondo e reitor o Padre Domingos Ferreira da Silva; tem sacrário e huma capella filial de Santo Amaro, em o lugar de Ourelinha; nesta igreja se achão alguns letreiros de que faremos menção; e alguns houve antigamente, que já não existem; como foi hum, que estava no arco da capella-mór, que antiguamente era muito baixa, e nelle estava huma imagem do Senhor Cruxificado, São João e Nossa Senhora, nas ilhargas; e por baixo, em roda do dito arco, hum letreiro gothico, que dezia o seguinte:
ESTE CRUZEIRO MANDOU PINTAR O FILHO DO DUQUE DE BRAGANÇA
Este duque foi D. Jaime, filho de D. Jaimes, 4.º Duque de Bragança que foi comendador desta comenda no anno de 1548, por cuja ordem e procuração foi então feito tombo della, e por despacho do Provisor de Braga, o Licenciado Sebastião Gonçalves em tempo do Arcebispo D. Manuel de Sousa.”


Igreja do Mosteiro de Gondar

Nota: As comendas podem-se considerar como sendo um benefício que se atribuía aos eclesiásticos e aos cavaleiros das ordens militares, dado como recompensa de serviços prestados com carácter social ou militar. Estas podiam revestir-se de carácter perpétuo e temporal. As primeiras recebiam a designação de regulares e eram destinadas exclusivamente aos eclesiásticos professos e as segundas eram destinados a cavaleiros professos, a título de compensação, passando a ter direitos de administração da localidade encomendada, com carácter temporário que se transformou em vitalício e mais tardiamente em usufrutuário.
in CRAESBEECK, Francisco Xavier da Serra, MEMÓRIAS RESSUSCITADAS DA PROVÍNCIA DE ENTRE DOURO E MINHO NO ANO DE 1726, Edições Carvalhos de Basto, Ponte de Lima, vol. II, página 56.
Fotografia: Rota do Românico
Miguel Moreira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

POPULAÇÃO DE GONDAR 
(NÍVEIS DE INSTRUÇÃO) 

Apesar da evolução decorrente do alargamento da escolaridade obrigatória e da designada “democratização do ensino”, Gondar continua a registar níveis de escolaridade demasiado baixos quando comparados com a média nacional.


Assim, mais de metade da população de Gondar (52%) possui apenas o 1.º Ciclo (4.ª classe) ou menos. Só 19% concluíram o ensino secundário e, destes, apenas 7% continuaram a estudar e concluíram um curso superior.
É também curioso verificar que dos que prosseguiram estudos após o secundário, quase metade são do sexo feminino.
Há, pois, muito trabalho ainda por fazer junto dos pais, pela autarquia, pelas escolas… para não falar do não menos importante, aquele que compete ao Estado.


Fonte: INE (Censos 2011)
Miguel Moreira

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

"O BEM-ESTAR"  
ASSOCIAÇÃO DE SOLIDARIEDADE SOCIAL DE GONDAR

“O Bem-Estar” é uma IPSS, com sede em Gondar, fundada a 10 de Abril de 2000, com os seguintes objectivos:
O BEM-ESTAR (GONDAR - AMARANTE)

- Prestar apoio psico-social à comunidade envolvente;
- Apoiar, acolher e garantir a satisfação das diversas necessidades da população idosa;
- Promover um desenvolvimento infantil adequado e ajustado a cada faixa etária;
- Promover a qualidade de vida dos utentes;
- Promover um serviço cada vez mais qualificado e certificado nas respostas sociais que desenvolve.
Em Agosto de 2012, inaugurou as atuais instalações, um moderno edifício construído de raiz e equipado de forma a prestar um serviço da melhor qualidade aos seus utentes.
“O Bem-Estar” possui, entre outras, as seguintes valências/serviços: Lar de idosos, Centro de dia, SAD (serviço de apoio domiciliário), Creche, CRAT (Centro de recursos de ajudas técnicas), Cantina…


Fonte:http://www.abem-estar.net/

domingo, 31 de janeiro de 2016

GONDAR ESTÁ A ENVELHECER


De acordo com os dados disponibilizados pelo INE-Instituto Nacional de Estatística (Censos 2011), a freguesia de Gondar é habitada por 1.686 pessoas, das quais, 16,6% têm mais de 65 anos e apenas 16,3% são crianças ou adolescentes.

População de Gondar por grupos etários (2001-2011)

Comparando, por grupos etários, os dados do Censos 2011 com os do Censos 2001 (ver gráfico), podemos concluir o seguinte:
- os indicadores demográficos de 2011 acentuam duas tendências demográficas recentes em Portugal: o abrandamento do crescimento demográfico e o envelhecimento populacional;
- a percentagem de crianças e adolescentes (0-14 anos) continua a diminuir, sendo de apenas 16,3% face aos 20% de 2001, o que denota uma baixa taxa de natalidade;
- o número de adultos e idosos aumenta, com um peso muito grande no conjunto da população, refletindo o aumento de esperança de vida a que se vem assistindo nos últimos anos.
Temos, por isso, em Gondar um fenómeno que é comum ao resto do país e característico dos países desenvolvidos: baixas taxas de natalidade e aumento da esperança média de vida, o que se traduz numa população, cada vez, mais envelhecida.

Fonte: INE

Miguel Moreira

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

POPULAÇÃO DE GONDAR 
EVOLUÇÃO DEMOGRÁFICA (1864 – 2011)

A população de Gondar atingiu o seu pico em 1981 (1.893 habitantes), tendo, desde então, vindo a diminuir até aos nossos dias. Em 2011, Gondar tinha 1.686 habitantes.

Evolução Demográfica - Gondar (Amarante)
Se analisarmos o gráfico mais em pormenor, podemos concluir o seguinte:

1   1- Em termos globais, a população aumenta até 1981 e diminui desde essa data e até aos nossos dias;
2   2- No pós-2ª guerra mundial (décadas de 40 e 50) verifica-se um crescimento mais acentuado, movimento que é natural nos períodos que sucedem a guerras ou outro tipo de crises;
3   3- Após esse crescimento, verifica-se novamente um recuo na década de 60, explicado pelo surto migratório então verificado;
4   4- Na década de 70, como resultado das melhorias nas condições de vida trazidas com a revolução de Abril, a população residente volta a aumentar;
5   5- Desde os anos 80, a população de Gondar não para de diminuir, embora com uma descida menos acentuada na última década.


Fonte: INE


Miguel Moreira (texto e gráficos)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

CAPELA DE SANTO AMARO DE OVELHINHA

As referências conhecidas à capela de Santo Amaro, em Ovelhinha, remontam ao início do séc. XVIII, mas é bem possível que a sua construção seja anterior. Na sua obra “Memórias Ressuscitadas…”, Craesbeeck, no ano de 1726, diz, referindo-se à Igreja matriz, que esta tem “huma capella filial de Santo Amaro, em o lugar de Ourelinha” e nas “Memórias Paroquiais” de 1758, António Coelho Pedroza faz referência à Capela de Santo Amaro, administrada pelo comendador Conde do Redondo (note-se que Gondar era Comenda da Ordem de Cristo). Não existe, por isso, a menor dúvida sobre a importância desta Capela onde, pela sua localização no centro da paróquia, era celebrada missa dominical e outros sacramentos.

Capela de santo Amaro (Ovelhinha - Gondar)

As “Memórias Paroquiais” (1758) sublinham também a realização, neste local, de uma feira franca anual “de javalis mansos e coisas comestíveis”, no dia de santo Amaro, a 15 de Janeiro.
Altar de Santo Amaro (Ovelhinha - Gondar)
A capela, simples e austera, denota os parcos recursos da paróquia aquando da sua construção, não possuindo elementos de valor artístico que mereçam ser destacados.
O altar, de feição neoclássica, tudo indica não ter sido construído de raiz para esta capela, pois o seu formato e dimensão não se coadunam com a parede à qual está adossado. No centro possui um nicho envidraçado, que alberga a imagem do santo, ladeado por duas colunas coríntias estriadas e encimado por um remate ondulado, no qual se insere uma pomba, símbolo do Espírito Santo.
Quanto à imagem de Santo Amaro, trata-se de uma escultura em madeira policromada, do século XVIII, assente sobre uma base marmoreada de formato hexagonal. Segura com a mão esquerda uma cruz, apresenta cabelo castanho com corte em tonsura e longas barbas da mesma cor e veste hábito negro sobreposto por manto com capuz, segundo as regras da Ordem de S. Bento à qual pertenceu.
Concluindo, pode dizer-se que a capela de Santo Amaro interessa mais pelo seu significado histórico-patrimonial do que pelo seu valor artístico.


Miguel Moreira

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O NOME DE GONDAR EM TERRAS DE FRANÇA


É com agradável surpresa que, depois de ter percorrido o encantador vale do Loire e visitado alguns dos seus admiráveis castelos (Chambord, Chenonceau, Blois, Amboise, Villandry…), ao atravessar a ponte que, sobre o Loire, liga Azay-le-Rideau a Langeais nos deparamos com o nome de Gondar estampado na sinalética local.




Na verdade, desde Agosto de 1999, a cidade francesa de Langeais mantém um protocolo de geminação com Gondar, com o objetivo de fomentar o intercâmbio desportivo, cultural e escolar entre as duas localidades. A justificar a geminação pesou, naturalmente, o número significativo de emigrantes gondarenses na região, mas, sobretudo, o empenho de Danièle Leite-Simonin, filha de um emigrante de Gondar que terá chegado a Langeais em 1930, e do então presidente da JFG, António Bastos Teixeira.


Langeais - França

Langeais é uma pequena, mas encantadora, localidade na margem direita do rio Loire que, aqui, é particularmente belo. Para além da sua ponte suspensa, do séc. XIX, e da Igreja de S. João Batista, é sobretudo o Castelo, Monumento Nacional desde 1922, que atrai a atenção dos visitantes. Construído por ordem de Luís XI, entre 1465 e 1469, sobre as ruínas de uma antiga fortaleza, o Castelo foi palco de um dos acontecimentos mais marcantes da História de França: o casamento real entre Carlos VIII e Ana da Bretanha, em 1491, que assinala o fim da independência do ducado da Bretanha.
Com alguma regularidade, delegações de Langeais e Gondar visitam-se reciprocamente.

Miguel Moreira


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

UM VIADUTO QUE DIVIDE GONDAR

Panorâmica de Gondar - Amarante

Viaduto da A4 em Gondar - Amarante

Os fatores geomorfológicos são determinantes na definição do território que constitui uma localidade ou uma região. No caso de Gondar, esse território é enquadrado por dois cursos de água, os rios Ovelha e Carneiro, que atravessam a freguesia de lés-a-lés. Sem eles, Gondar seria impensável. 
Por outro lado, o aproveitamento das vertentes desses dois leitos, como facilitadores da travessia da serra do Marão, colocou Gondar no centro das redes viárias que ligam Amarante a Vila-Real e a Mesão Frio, respetivamente. Mas, se esta posição estratégica trouxe grandes vantagens a Gondar, tem também os seus inconvenientes: as modernas auto-estradas, pela sua dimensão e estruturas que utilizam (pontes, viadutos…) são profundamente agressivas em relação ao território e ao meio ambiente em que se inserem. Cabe ao homem minimizar esses impactos.
Em nosso entender, a construção da A4 no troço que atravessa Gondar não acautelou minimamente esses impactos. A paisagem, o ecossistema e a qualidade de vida ficaram profundamente afetados.
Fizeram-se estudos de impacto ambiental? Foram tidos em conta no traçado da via? Não creio.
Haveria alternativas? Com certeza. Já vi serem alterados traçados de estradas por muito menos.
Não somos contra o progresso, mas nunca a qualquer preço.

Miguel Moreira

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

OUTROS TEMPOS, OUTRAS VIDAS…

Há dias, falávamos de Vila Seca, pela escrita de José Augusto Vieira, que se referia à olaria como ocupação principal dos habitantes desta localidade.

Feira no Largo de São Gonçalo - Amarante

Principal fonte de sustento de grande número de famílias, a olaria implicava não apenas o fabrico das peças, mas também a sua distribuição e venda nas feiras da região. As mulheres, com os cestos à cabeça cheios de louças, saíam de madrugada, a pé, por vezes para bem longe, enquanto os maridos continuavam, em casa, agarrados à roda do oleiro.
Na fotografia que vos apresentamos, de uma feira no Largo de São Gonçalo nos primórdios do século passado, está bem patente a presença de algumas mulheres, muito provavelmente de Vila Seca, que, sentadas nos cestos em que transportavam a louça, esperavam pelos seus clientes.
Outros tempos, outras estórias, outras vidas… 

Miguel Moreira

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

AQUI NASCEU GONDAR

Poucas são as terras que, como Gondar, podem identificar, com algum rigor, as suas origens e justificar o seu nome. Na verdade, Gondar nasceu e cresceu à volta do seu mosteiro e deve o seu nome ao fundador desse mesmo mosteiro.

Igreja do Mosteiro de Gondar - Amarante

Sim, foi neste pequeno espaço que se vê na imagem que nasceu Gondar, ou melhor, Gundar, nome que conservou até ao século XVI.(1)
Fundado no século XII, por Dom Mem Gundar, o mosteiro beneditino, do qual dependiam também os de Lufrei e Santa Maria Madalena, constituiu-se como núcleo de toda a atividade económica e social da região. E, se inicialmente se constituía como centro de um conjunto patrimonial privado, associado à linhagem dos Gundares e ao controlo de um determinado perímetro geográfico e social (2), paulatinamente a instituição Igreja vai-se apossando dessas estruturas e de todo o aparelho económico e social construído a partir delas. Foi neste contexto que, em 1455, o bispo D. Fernando da Guerra extinguiu o mosteiro e o secularizou. E, assim, nasce a Paróquia de Gondar.
A secularização do mosteiro e da igreja não significou, no entanto, diminuição do seu valor patrimonial ou da sua importância na região. Pelo contrário, o rendimento associado à nova igreja aumentou e Gondar tornou-se Abadia da Apresentação da Mitra e Comenda da Ordem de Cristo. A este fato não foi alheia a oferta, em 1470, pelo seu primeiro pároco, Pedro Afonso, da imagem da Virgem sedente e que se tornou elemento totémico da comunidade.
Em 1882, com a reorganização dos limites das dioceses de Braga e Porto, Gondar transitou do território da primeira para o da segunda, onde permanece.
Em 1903/04, com a construção da nova Igreja Paroquial, Gondar adquire uma nova centralidade que as entidades autárquicas e eclesiásticas souberam aproveitar e têm vindo a valorizar, designadamente com a construção do Centro Paroquial e da sede da Junta de Freguesia.
No entanto, apesar desta nova centralidade, a Igreja do Mosteiro continua a ser o verdadeiro "ex-libris" de Gondar, pois foi, na realidade, o seu berço.

(1) - Gondar ou Gundar? Embora a grafia contemporânea seja a de Gondar, o padre Domingos Moreira regista "Gundar" como topónimo entre os séculos XIII e XVI (MOREIRA, Domingos A., - Fregusias do Diocese do Porto: elementos onomásticos alti-medievais.

(2) - Como refere Mário Barroca: "estamos perante um caso de uma fundação monástica protagonizada por uma família da pequena ou média nobreza que ao novo mosteiro passou a estar estreitamente ligada, porque detinha os direitos patronais, porque a ele confiava algumas das suas filhas que aí professavam, e porque o elegia para panteão familiar, fazendo aí enterrar os seus mortos".

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fotografia)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

MIRADOUROS… DE GONDAR

É do alto das suas colinas, de um ponto de vista semelhante ao das aves, que Gondar revela toda a sua beleza e encanto. Calcorrear caminhos e vielas que atravessam lugares e lugarejos permite, sem dúvida, apreciar mais de perto o dia-a-dia das suas gentes, a rusticidade das suas construções, o calor humano dos anfitriões. Mas, são os miradouros, os pontos mais elevados, os que nos oferecem perspectivas únicas e privilegiadas das suas aldeias e paisagens - são eles os verdadeiros arautos da beleza de Gondar.

Lugar de Corujeiras (visto do Castelo - Carvalho de Rei)

Ovelhinha (vista do Caminho das Mesuras)

Vilela (vista do Calvário)

Vila Seca (vista a partir da Boavista)

Larim (vista a partir do Tapado)

Devido à sua orografia, acidentada e a convergir para os vales dos rios Ovelha e Carneiro, são vários os miradouros que Gondar nos oferece. Destes, selecionamos cinco: o Castelo, que nos dá uma panorâmica de toda a freguesia, mas sobretudo uma vista de cortar a respiração sobre os lugares de Corujeiras e Outeirinho; o Calvário de Vilela, com uma vista soberba sobre o lugar; o Tapado com uma perspectiva única sobre Larim; o Caminho das Mesuras, de onde é possível admirar toda a beleza e sedução de Ovelhinha; e uma panorâmica do lugar de Vila Seca, com o seu casario disposto em cascata, a partir da Boavista.

Há, concerteza, outros miradouros de igual beleza e, porventura, mais deslumbrantes. Ficarão para uma próxima oportunidade. 

Miguel Moreira



sábado, 5 de setembro de 2015

JOALHEIRO RECRIA BARRO PRETO DE GONDAR

A olaria de barro preto de Gondar, cuja origem se perde no tempo e que tinha como principal centro olárico o lugar de Vila Seca (Gondar), tem conquistado, nos últimos tempos, uma nova dimensão – a dimensão artística.


O joalheiro Daniel Oliveira, em colaboração com o artesão César Teixeira, está a criar uma colecção de peças de joalharia, que têm por base a cor e as texturas das peças da olaria de Gondar.
Uma das artes tradicionais mais emblemáticas do concelho de Amarante, a olaria de Gondar com a sua técnica de cozedura e escurecimento do barro – na soenga – constitui o modo mais ancestral, elementar e natural de todos os tipos de cozedura para cerâmica.
Processo de cozedura das peças na soenga
As peças, de formatos e finalidades diversas, são sobretudo panelas, cântaros, púcaros, alguidares, chocolateiras, vinagreiras e outros objetos do quotidiano nas casas portuguesas.O barro utilizado, logo que extraído, é crivado para a gamela e amassado, num ato em tudo semelhante ao amassar do pão. Depois de culdrado, ou seja, depois de lhe serem retiradas as impurezas, é centrado no tampo da roda e modelado. Neste processo, usam-se os fanadoiros, o esquinante e trapos humedecidos com água. À modelação segue-se a decoração, simples, usando-se, geralmente, o “picado” - pequenos pontos feitos por punção, sem orientação pré-definida, com semelhança nas cerâmicas medievais.
Peças de olaria de barro preto de Gondar
Moldadas e decoradas, as peças são postas a secar durante alguns dias e, posteriormente, cozidas na soenga (forno escavado na terra). Esta operação, que demora cerca de 2 horas e meia, compreende 3 momentos distintos: 1º - aquecimento prévio das peças, para que não rachem quando submetidas a altas temperaturas; 2º - cozedura propriamente dita, em que a temperatura sobe até cerca de 900º e a louça fica ao rubro; 3º - abafamento, em que a fogueira é extinta e as peças cobertas com caruma e terra, bem compactada, para que não haja entrada de ar e o fumo penetre na louça dando-lhe a cor negra que lhe é característica.
César Teixeira (artesão)
César Teixeira, o único oleiro da freguesia de Gondar, é também o único artífice conhecido que, em Portugal, produz louça de barro, preta, modelada numa roda baixa e cozida numa soenga.
Joias de barro preto de Daniel Oliveira (joalheiro)
Estão de parabéns César Teixeira (artesão) e Daniel Oliveira (joalheiro) pela iniciativa e Gondar que vê o seu nome e as suas tradições reconhecidas e perpetuadas.
Miguel Moreira