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sexta-feira, 10 de junho de 2016


NOSSA SENHORA DO CARMO DE OVELHINHA

Desconhecida de muitos, a capela de Nossa Senhora do Carmo, em Ovelhinha, é uma pequena jóia do património artístico e cultural de Gondar.


Retábulo da Capela da S.ª do Carmo (Ovelhinha - Gondar)

De estilo barroco, o seu retábulo, em talha de madeira dourada e policromada, impressiona pela sua exuberante decoração baseada principalmente em parras e folhas de acanto que, espalhando-se e cobrindo todo o conjunto, se misturam, em perfeita harmonia, com grande quantidade de anjos, aves (fénices) e meninos alegóricos (“putti”). De cada lado, duas colunas torsas profusamente decoradas, com capitéis coríntios, suportam o entablamento que serve de apoio a dois arcos concêntricos que rematam o conjunto. 


Nossa Senhora do Carmo (Ovelhinha - Gondar)

No centro, um nicho alberga a imagem de Nossa Senhora do Carmo, também ela de estilo barroco.
Dois anjos tocheiros delimitam o corpo da capela e o espaço do altar. E, do lado do Evangelho, um púlpito, com uma expressiva decoração com flores de acanto, completa o cenário.
De salientar o equilíbrio e a harmonia de todo o conjunto, quer na decoração quer na forma, que julgamos poder datar-se da 1.ª metade do século XVIII.

Nossa Senhora do Carmo:


Nossa Senhora do Carmo tem origem no séc. XII, quando um grupo de eremitas se fixou no Monte Carmelo, na Palestina, iniciando um estilo de vida simples e pobre, seguindo o exemplo de Cristo. Ali construiram uma capela em honra de Nossa Senhora.
Tempos depois, os Carmelitas mudaram-se para a Europa, tendo passado por grandes dificuldades e perseguições. Em 16 de Julho de 1251, quando rezava no seu convento de Cambridge, Inglaterra, Simão Stock, superior geral da Ordem, pediu a Nossa Senhora um sinal de proteção. Apareceu-lhe, então, Nossa Senhora, trajando o hábito dos Carmelitas, que lhe ofereceu o escapulário, dizendo: “Recebe, filho amado, este escapulário. Todo o que com ele morrer, não padecerá a perdição no fogo eterno”.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fotografia)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

CAPELAS E ORAGOS DE GONDAR

Em 1758, segundo relatório do padre António Coelho Pedroza, nas “Memórias Paroquiais de Gondar”, existiam na freguesia cinco capelas:
“Tem esta Freguesia sinco capellas, huma da Freguesia que ademenistra o Excelentíssimo Conde de Redondo como Comendador e senhor dos frutos desta comenda, cujo orago hé Santo Amaro, em cujo dia acorrem a sua capella muntos devotos das vizinhanças com suas esmolinhas".

Capela de Santo Amaro (Ovelhinha - Gondar)
"No lugar de Ovelhinha tem huma capella munto moderna feita a expensas do Doutor Manuel Pereira Valente, natural desta Freguesia e assistente na cidade do Porto pella sua grande Literatura …"


Capela de Nossa Senhora do Carmo (Ovelhinha - Gondar)


"Tem outra no lugar da Salida com  invocaçom do senhor Santo António que mandou eregir o Padre  Gonçallo Nunes Pereira Valente, vigário de Sam Martinho de Carvalho de Rei".


Capela de Santo António (Casa da Saída - Gondar)

"No lugar de Vilella há duas capellas, huma a mais antiga seu orago Sam João Baptista de que hé adeministradora Brizida Preira veuva e seus filhos o licenciado Manuel Brochado e o padre frei Joam de Sam Joam Baptista religiozo da Observância do Seraphico Sam Francisco na província da Índia. A outra de Sam João Crisóstimo que há poucos annos  mandou eregir o Padre João Pereira Sobrinho.” (1)


Capela de S. João Baptista (Vilela - Gondar)

Quatro destas capelas (S.to Amaro, S.ra do Carmo, Santo António e S. João Batista) conservam-se; a de São João Crisóstomo, em Vilela, foi dessacralizada; e, entretanto, construiu-se a de Nossa Senhora das Dores, na Quinta do Encontro, em Vila Seca.

(1)- P.e António Coelho Pedroza in “Memórias Paroquiais de Gondar”, 1758.

Fontes eletrónicas:

- capela de São João Crisóstomo (Vilela): http://pesquisa.adb.uminho.pt/details?id=1272757&ht=
- capela de S. António (Saída): http://pesquisa.adb.uminho.pt/details?id=1289187&ht=carvalho
- capela de São João Batista (Vilela): http://pesquisa.adb.uminho.pt/details?id=1266249&ht=joao


Miguel Moreira (texto e fotografia)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

CAPELA DE SANTO AMARO DE OVELHINHA

As referências conhecidas à capela de Santo Amaro, em Ovelhinha, remontam ao início do séc. XVIII, mas é bem possível que a sua construção seja anterior. Na sua obra “Memórias Ressuscitadas…”, Craesbeeck, no ano de 1726, diz, referindo-se à Igreja matriz, que esta tem “huma capella filial de Santo Amaro, em o lugar de Ourelinha” e nas “Memórias Paroquiais” de 1758, António Coelho Pedroza faz referência à Capela de Santo Amaro, administrada pelo comendador Conde do Redondo (note-se que Gondar era Comenda da Ordem de Cristo). Não existe, por isso, a menor dúvida sobre a importância desta Capela onde, pela sua localização no centro da paróquia, era celebrada missa dominical e outros sacramentos.

Capela de santo Amaro (Ovelhinha - Gondar)

As “Memórias Paroquiais” (1758) sublinham também a realização, neste local, de uma feira franca anual “de javalis mansos e coisas comestíveis”, no dia de santo Amaro, a 15 de Janeiro.
Altar de Santo Amaro (Ovelhinha - Gondar)
A capela, simples e austera, denota os parcos recursos da paróquia aquando da sua construção, não possuindo elementos de valor artístico que mereçam ser destacados.
O altar, de feição neoclássica, tudo indica não ter sido construído de raiz para esta capela, pois o seu formato e dimensão não se coadunam com a parede à qual está adossado. No centro possui um nicho envidraçado, que alberga a imagem do santo, ladeado por duas colunas coríntias estriadas e encimado por um remate ondulado, no qual se insere uma pomba, símbolo do Espírito Santo.
Quanto à imagem de Santo Amaro, trata-se de uma escultura em madeira policromada, do século XVIII, assente sobre uma base marmoreada de formato hexagonal. Segura com a mão esquerda uma cruz, apresenta cabelo castanho com corte em tonsura e longas barbas da mesma cor e veste hábito negro sobreposto por manto com capuz, segundo as regras da Ordem de S. Bento à qual pertenceu.
Concluindo, pode dizer-se que a capela de Santo Amaro interessa mais pelo seu significado histórico-patrimonial do que pelo seu valor artístico.


Miguel Moreira

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CASTELO (CARVALHO DE REI)

a magia de uma aldeia

Subir ao Castelo, libertar-se e deixar-se guiar pelos sentidos até ao horizonte do olhar, é uma sensação indescritível que todos os amarantinos deveriam experimentar. Deambulando por entre os rochedos do seu cume temos a sensação de pisar solo sagrado, de estarmos mais próximos do céu que da terra.


Castelo - Carvalho de Rei

Pela sua implantação destacada na paisagem, o local permite-nos um amplo domínio visual, atingindo uma área que vai dos cumes do Marão e do Alvão às longínquas terras do Vale-do-Sousa.



Gondar - Amarante

Localizado sensivelmente a meia encosta na serra da Aboboreira, o lugar do Castelo está associado às diversas fases da ocupação humana em território amarantino: bem perto, na Aboboreira, abundam exemplos do megalitismo; da época castreja há vestígios do importante e estratégico “castro” edificado pelos Celtas e, mais tarde, romanizado; ao seu redor desenvolveu-se um importante povoado que, com a edificação de uma ermida, se transformou num importante local de culto.
Nossa Senhora do Castelo teve, ao longo da sua história, uma importante romaria que congregava a população de muitos locais próximos e longínquos, conforme atestam as Memórias Paroquiais de 1758. O seu culto está associado a uma lenda que refere o aparecimento de Nossa Senhora numa pequena queda de água existente no local. 



Capela de Nossa Senhora do Castelo

A capela foi recentemente remodelada, restando da antiga estrutura apenas o campanário e a pia baptismal que serve agora de base a um fontanário. A bica do mesmo parece tratar-se de uma estela funerária, atribuível ao período romano e terá, segundo informação local, uma inscrição na parte de trás. Também do período romano, encontra-se no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, uma ara consagrada a Júpiter Óptimo Máximo, encontrada no local. Esta sacralidade pagã parece ter sobrevivido ao Cristianismo, mantendo-se viva nas procissões ou clamores que todos os anos se realizam no primeiro domingo de Julho. 
Por último, o Castelo fica próximo de Chãos de Infesta onde se crê existirem três necrópoles distanciadas entre si no tempo por alguns milénios. É provável que haja alguma relação entre estes dois sítios, que só seria possível averiguar através de uma investigação mais intensiva que incluísse também algumas campanhas de escavações arqueológicas.



Miguel Moreira



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

IGREJA PAROQUIAL DE GONDAR


Igreja Paroquial de Gondar (ala sul)

Igreja Paroquial de Gondar (fachada principal)

Capela-mor e altares colaterais

Altar de S. José e Nossa Senhora de Fátina

Altares de Nossa Sr.a das Graças e do Coração de Jesus

Batistério da Ig. Paroquial de Gondar

Cruzeiro de Gondar

A sua construção foi iniciada em Abril de 1903 e a inauguração realizou-se em Outubro de 1904. A localização, num extremo da paróquia, da Igreja do Mosteiro e as suas exíguas dimensões exigiam, desde há muito, a construção de um novo templo, maior e num local mais central. Aliás, já desde meados do século XVIII, a Capela de Santo Amaro, em Ovelhinha, era utilizada para as missas dominicais por ter uma melhor localização.
Segundo consta, o pároco de então, Pe. Manuel Gontão, não era homem de grande iniciativa, embora fosse ele quem ofereceu o terreno para a nova Igreja. Na realidade, o grande incentivador e dinamizador do empreendimento foi o Sr. Joaquim Narciso, da casa do Outeirinho. Foi ele que contactou as famílias mais abastadas da freguesia e diversas instituições com o objectivo de angariar os fundos necessários à construção da igreja. Os donativos e as despesas constam de um livro que o Sr. Arnaldo (herdeiro do Sr. Narciso) possuía e que, agora, se encontra nos arquivos da paróquia. Em valores da época, o custo total rondou os mil escudos. Deste montante, a maior parte veio do Estado, da Junta de Freguesia, das Senhoras da Casa do Ribeiro e das Confrarias do Santíssimo Sacramento e da Senhora do Rosário. O povo da freguesia pouco contribuiu, mas parece que esse contributo também não lhe foi pedido.
Como os recursos eram escassos, foi preciso recorrer a outras fontes. Assim, da velha Igreja do Mosteiro veio o retábulo em talha dourada do altar-mor, a valiosa imagem da padroeira, Santa Maria, em pedra de Ançã, do século XV, e os dois altares colaterais, o do Senhor Crucificado e o do Senhor dos Passos, cujas imagens já foram substituídas por outras; da Igreja de São Francisco, no Campo da Feira (Amarante) que estava a ser demolida para a construção do Quartel de Artilharia, vieram os dois altares laterais e respectivas imagens, muitas madeiras e as pirâmides e cruzes que encimam a Igreja.
De referir, também, que, no local, já existia uma capela de apoio ao cemitério, aliás designada como “Capela do Cemitério”, que foi aproveitada e corresponde à capela-mor da atual Igreja.
Pena foi que a nova Igreja continuasse a ser acanhada, que do terreno destinado à igreja fosse cedida uma parte para a ampliação do cemitério (construção do patamar mais elevado) encurtando, assim, o espaço do adro entre a igreja e o cemitério, e que a torre sineira ficasse demasiado baixa (a actual, mais elevada e com relógio, data da década de 60, do século passado).
Do conjunto das instalações paroquiais fazem também parte o cruzeiro, que data da fundação da Igreja, a residência paroquial, construída em 1937, e o Centro Paroquial, mandado construir pelo pároco de então, Pe. António Gonçalves Foz, na década de sessenta, do século passado.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fotografia)


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O RETÁBULO-MOR DA IGREJA DE GONDAR

um belo exemplar do barroco

Igreja Matriz de Gondar

Retábulo-mor da Igreja de Gondar

Pormenor do retábulo (colunas e trono)

Pormenor do retábulo (decoração dos arcos)

Pormenor do retábulo (Sacrário)


Transferido da Igreja do Mosteiro de Gondar para a nova Igreja Matriz, aquando da sua construção (1903/04,) este retábulo, em talha dourada, data, pelas suas caraterísticas, dos finais do séc. XVII ou princípios do séc. XVIII, e integra-se no designado Barroco Nacional.
Nesta estrutura retabular destaca-se um par de colunas de cada lado, sendo que as dos extremos são pseudo-salomónicas (o terço inferior da coluna não se encontra estriado) e as interiores de fuste espiralado. Os capitéis são coríntios, decorados com folhas de acanto, e suportam o entablamento que serve de apoio a dois arcos concêntricos de volta perfeita, numa clara alusão à abóbada celeste.
No centro, destaca-se a tribuna com o seu trono piramidal composto por quatro níveis escalonados e encimado pelo tabernáculo destinado à exposição do Santíssimo Sacramento.
Entre cada par de colunas, um nicho com a respectiva mísula e as imagens de Santa Maria de Gondar, do lado do Evangelho, e de Santo António, do lado da Epístola.
A decoração é a caraterística do Barroco Nacional: parras e cachos de uvas (simbolizando a Eucaristia), folhas de acanto (simbolizando a imortalidade), aves depenicando uvas, meninos alegóricos (“putti”), anjos alados (serafins), flores e frutos.
De salientar, também, de cada lado do Sacrário, profusamente decorado, duas aves (Fénix, símbolo da Ressurreição e da Eternidade).
Este retábulo, conjuntamente com a imagem de Nossa Senhora (séc. XV), é, sem dúvida, o elemento de maior valor e estima da Igreja de Santa Maria de Gondar.

Miguel Moreira (texto)
João Sardoeira (fofografia)